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RFI Convida

"Os blocos de rua contemporâneos são fruto da sociedade conectada", diz especialista de carnaval

Áudio 07:09
O  pesquisador e professor de artes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Felipe Ferreira.
O pesquisador e professor de artes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Felipe Ferreira. Foto: Arquivo Pessoal
Por: Adriana Brandão
10 min

Como explicar o sucesso e o fenômeno dos blocos de rua que a cada carnaval ganham uma nova dimensão em todo o Brasil? Para entender o crescimento da folia nas ruas do país, o RFI Convida conversou com o pesquisador e professor de artes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Felipe Ferreira. Ele é autor do livro “Inventando carnavais: o surgimento do carnaval carioca no século 19 e outras questões carnavalescas" (editora UFRJ, 2005) e coordenador do centro de referência do carnaval da UERJ.

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Segundo Felipe, os "blocos nunca deixaram de existir, mas não eram tão divulgados na mídia como as escolas de samba". Mas a partir da virada do século, nos anos 2000, o ciclo mudou. 

"Os blocos passaram a ter uma forte repercussão na imprensa, o que foi atraindo cada vez mais pessoas", afirma. O tempo de preparação e a organização exigidos para uma escola de samba também não conseguem contemplar todas as pessoas que querem brincar o carnaval, de acordo com o especialista.

"Os blocos são muito mais simples. Basta um bloco passar e você se incorpora nele. Isso fez com que eles crescessem muito e se tornassem um contraponto às escolas de samba", argumenta.

"O que acho interessante de pensar em bloco, que é uma brincadeira muito antiga, é que no caso desses blocos contemporâneos, eles são muito produtos de uma sociedade conectada, da internet. As pessoas trocam informações muito rapidamente, formam grupos de discussão, marcam encontros. É a partir desse movimento da internet que muitos blocos se organizaram e fizeram o sucesso que têm hoje", destaca.

Carnaval e política

Na entrevista à RFI, o especialista também analisou as fantasias e atitudes dos foliões de levarem temas políticos para o universo da manifestação cultural mais popular do país.

"A gente vê uma politização muito forte, mas uma politização carnavalesca. Não é uma manifestação política. É um carnaval que se incorpora à política na sua forma de se expressar. A brincadeira continua sendo a coisa mais importante, mas o tema político aparece em muitos momentos. É uma forma de criticar, se colocar diante da realidade, mas sem deixar de brincar. Esse é o segredo do carnaval", assinala.

Para ouvir a íntegra da entrevista, clique no link da foto.

 

 

 

 

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