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Demissão de Mandetta em plena crise do coronavírus tem forte repercussão na Europa

A demissão do ministro da Saúde do Brasil tem forte repercussão na Europa.
A demissão do ministro da Saúde do Brasil tem forte repercussão na Europa. © REUTERS/Ueslei Marcelino
Texto por: RFI
3 min

A demissão do ministro da Saúde do Brasil tem forte repercussão na Europa nesta sexta-feira (17). Rádios, TVs e jornais noticiam a decisão do presidente brasileiro de substituir o "popular" Luiz Henrique Mandetta em plena crise do coronavírus.

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Em manchete, o jornal Le Monde afirma que a demissão de Luiz Henrique Mandetta nessa quinta-feira (16), aconteceu "em plena pandemia" e que o ministro era "o símbolo da luta contra a Covid-19" no Brasil.

O correspondente do diário no Brasil, Bruno Meyerfeld, escreve que o afastamento de um ministro da Saúde em plena crise sanitária mundial é "bombástico”, mas não surpreendeu ninguém em Brasília.

Desde o início da epidemia, "uma verdadeira guerra fria opunha o presidente brasileiro de extrema direita, um ‘coronacético’ assumido, ao seu ex-ministro da Saúde, um ‘corona-alarmista’ convencido", explica o texto do artigo.

Libération afirma que no Brasil de Bolsonaro é assim que as coisas acontecem. O jornal lembra que a demissão do “popular” Mandetta desagradou a população, que reagiu com panelaços ao anúncio do presidente, em várias cidades do país.

Desacordo total

O diário britânico The Guardian publica que o motivo da demissão foi a diferente concepção que Bolsonaro e Mandetta tinham sobre a luta contra a doença: enquanto "o líder da extrema-direita" dá uma controversa resposta à Covid-19, priorizando o impacto econômico, o ministro defendia o confinamento da população.

Já o jornal espanhol El País destaca que Mandetta ganhou popularidade graças à clareza com que falava da doença, com um "estilo direto e didático", baseando-se sempre na ciência e sob forte pressão de oposição de Bolsonaro.

O desacordo entre os dois homens sobre o coronavírus era "total", completa a rádio francesa RTL. Mandetta foi substitído pelo oncologista Nelson Teich, que é médico de Jair Bolsonaro, ressalta a emissora francesa, informando que durante sua primeira entrevista coletiva o novo ministro brasileiro garantiu que irá abordar a crise do coronavírus de maneira técnica e científica.

Período de incerteza

Segundo o correspondente da RFI no Brasil, François Cardona, a saída de Mandetta abre um "período de incertezas no Brasil". Nelson Tech é favorável a uma campanha de testes em massa para conhecer melhor a propagação do vírus no país. Mas, por enquanto, as autoridades não têm condições de fazer isso rapidamente em todo o país, informa Cardona.

Até essa quinta-feira, a Covid-19 tinha provocado a mortes de 1.924 pessoas e contaminado 30.425. Mas o correspondente da RFI revela que um coletivo de  pesquisadores universitários, reunido no grupo Covid-19, estima que o número de casos de coronavírus no Brasil seria "quinze vezes maior". De acordo com os pesquisadores, mais de 300.000 pessoas estariam infectadas no país. O grupo Covid-19 teme “um hecatombe” nas próximas semanas, conclui Cardona.

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