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Para imprensa europeia, demissão de Sergio Moro pode fragilizar de vez Jair Bolsonaro

O ex-ministro Sergio Moro.
O ex-ministro Sergio Moro. AFP
Texto por: RFI
5 min

Em Portugal, o site do jornal Público faz uma análise em que afirma que "no meio da pandemia da Covid-19, salvar a família Bolsonaro das investigações da Polícia Federal se tornou o foco do governo". Vários veículos notam que a saída do ex-juiz Sergio Moro do governo poderá comprometer a base de apoio do presidente de extrema direita.

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A demissão de Moro tornou-se a principal manchete do jornal português Público na tarde desta sexta-feira (24).

"A saída do ex-juiz, mas sempre político, Sergio Moro é o resultado de diversas ações da família Bolsonaro para evitar investigações e uma denúncia formal por parte da Polícia Federal. [...] Uma comissão especial da Câmara dos Deputados investiga uma rede de disseminação de notícias falsas. A maior descoberta [...] era da possível participação de Eduardo Bolsonaro – deputado federal e filho do presidente – no esquema", diz o diário. "Com a mudança na direção da Polícia Federal, Bolsonaro tenta novamente ter poder sobre o que é investigado. Vale novamente ressaltar que a família do presidente mantém suspeitas de ligação com o crime organizado por ex-policiais do Rio de Janeiro e, por fim, nunca conseguiu se descolar inteiramente do caso da morte de Marielle Franco, ex-deputada carioca assassinada há dois anos", recorda o Público.

O britânico The Guardian reproduz comentário de Brian Winter, editor-chefe do Americas Quarterly. "A saída de Moro pode ter implicações enormes para o líder brasileiro, corroendo sua base de apoio de cerca de 30% dos eleitores – o que alguns acreditam que poderia abrir caminho para o impeachment. Eu acho que é devastador para Bolsonaro", disse Winter.

"Acho que a saída de Moro causará uma crise de consciência real para alguns eleitores de Bolsonaro que se perguntarão: 'Esse governo é realmente a mudança pela qual votei?'", declarou Winter. "A história nos diz que o impeachment está sempre à espreita nos presidentes brasileiros. O fogo está atingindo os calcanhares de Bolsonaro há alguns meses ... e o Congresso sempre odiou Bolsonaro ”, acrescenta o editor-chefe Americas Quarterly.

"Intervenção muito política" de Moro

"Foi uma intervenção muito política na qual ele enfatizou que concordou em ser ministro de Bolsonaro para 'aprofundar a luta contra a corrupção', um compromisso que está em risco há algum tempo", assinala o espanhol El País. O texto destaca que Moro "chegou a enfatizar que mesmo os governos do Partido dos Trabalhadores, que ele não mencionou, não interferiram na autonomia dos juízes e da polícia".

O site alemão Der Spiegel lembra que a saída de Moro é a segunda demissão na equipe ministerial de Bolsonaro dentro de um espaço de tempo muito curto. "Na semana passada, o presidente demitiu seu ministro da Saúde após uma disputa sobre a gestão da pandemia de coronavírus." A Spiegel diz que a maneira "frouxa" como Bolsonaro gerencia as crises no interior do governo leva militantes mais exaltados a pedir uma intervenção das Forças Armadas.

O jornal francês Le Monde sublinha que as relações entre o ex-magistrado e Jair Bolsonaro se deterioravam há vários meses, e uma das razões, segundo o diário, é porque Moro poderia competir com o atual presidente nas eleições de 2022. A reportagem destaca que a renúncia foi devido à "interferência política" do presidente de extrema direita em assuntos judiciais.

O diário cita o longo discurso de Sérgio Moro na manhã desta sexta-feira (24) no Brasil, em que o ex-ministro comenta que o presidente "violou a promessa de carta branca" dada a ele no momento do convite para se juntar ao governo, em janeiro de 2019. Moro ainda disse que "a autonomia da polícia federal é um valor fundamental que deve ser preservado no Estado de direito", publicou o Le Monde, lembrando que a renúncia foi recebida com um panelaço em diversas cidades brasileiras.

O artigo também analisa que Sérgio Moro teve um papel fundamental na Operação Lava Jato, mandando para a cadeia poderosos empresários do ramo petroleiro, o que lhe rendeu um reconhecimento de “herói nacional”, mesmo que a imparcialidade de suas ações tenha sido questionada posteriormente.

O Le Figaro destaca que a saída do “ministro mais popular do governo Bolsonaro” acontece apenas oito dias depois da demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em plena epidemia de coronavírus. O jornal destaca que a renúncia de Sérgio Moro “foi muito mal recebida pelos mercados, sendo que a Bolsa de Valores de São Paulo caía mais de 8%, ao meio-dia”.

 

 

 

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