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“Jiu-jítsu brasileiro é vítima colateral do coronavírus e do bolsonarismo”, escreve Le Monde

Jornal “Le Monde” diz que o popular jiu-jítsu brasileiro é vitima colateral do coronavírus e do bolsonarismo.
Jornal “Le Monde” diz que o popular jiu-jítsu brasileiro é vitima colateral do coronavírus e do bolsonarismo. © Fotomontagem RFI
Texto por: RFI
2 min

A arte marcial é muito popular no Brasil e tem inclusive mais adeptos do que a capoeira, informa reportagem do Le Monde publicada nesta terça-feira (26). Mas o “jiu-jítsu brasileiro está dividido, vítima colateral do coronavírus e do bolsonarismo”, diz o jornal.

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A reportagem do correspondente do vespertino no Brasil, Bruno Meyerfeld, informa que a Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu aceitou finalmente em 18 de maio suspender todas as competições por tempo indeterminado, até que as condições sanitárias permitam sua retomada. O anúncio decepcionou os fãs, mas aliviou as elites dirigentes, informa o texto.

A Brasil criou sua própria modalidade da arte marcial japonesa. Ela foi desenvolvida pela família Gracie na primeira metade do século 20, explica o diário. A matéria conta a história da implantação do jiu-jítsu no país, da criação da modalidade brasileira pelos irmãos Carlos e Hélio Gracie e do sucesso dos perigosos "vale tudo".

Segundo uma pesquisa do Ministério da Saúde datada de 2013 e citada pelo diário, mais de 2,5 milhões de brasileiros praticam o esporte. Em porcentagem, isso representa 1,3% da população do país, mais do que a capoeira, reconhecida como símbolo nacional.

Clã dividido

O clã da família Gracie, formado por mais de 150 descendentes dos fundadores, é cultuado e tema de biografias. Mas hoje, “o formidável jiu-jítsu brasileiro vive um momento de divisões profundas, estimuladas por acertos de contas cruéis entre os integrantes da família Gracie”, relata a reportagem. O motivo da disputa? O presidente brasileiro de extrema direita Jair Bolsonaro, revela Le Monde.

A família começou a se decompor durante a campanha presidencial de 2018. Tudo começou quando o patriarca, Robson Gracie, presidente da poderosa federação carioca de Jiu-Jítsu, entregou simbolicamente uma faixa preta ao então candidato Bolsonaro, três dias antes da eleição do segundo turno. Apesar de protestos de membros importantes da família, indignados com o gesto e contrários à homenagem a um político que faz a apologia da tortura, a maioria do clã é favorável a Bolsonaro. Os dissidentes foram excluídos e são vítimas de ameaças.

A polêmica arranhou a imagem do jiu-jítsu, salienta a reportagem. Independentemente, desde que chegou ao poder, Bolsonaro adora posar ao lado dos integrantes da dinastia e nomeou para o cargo de embaixador do turismo brasileiro Renzo Gracie.

Para desagrado de muitos esportistas, o jiu-jítsu se transformou em símbolo da extrema direita. O professor de arte marcial e fundador do grupo antifascista Boxe Autônomo de São Paulo, Breno Macedo, lamenta, em entrevista ao jornal, que “o esporte tenha se transformado para os bolsonaristas em sinônimo de valores nacionalistas, viris, machistas e homofóbicos que eles defendem”.

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