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Em tribuna no Le Monde, pesquisadores sugerem que Europa aplique sanções contra governo Bolsonaro

Acusado de interferir na polícia para preservar sua família, Bolsonaro multiplica provocações contra o Supremo Tribunal e apoia manifestantes que defendem uma intervenção militar.
Acusado de interferir na polícia para preservar sua família, Bolsonaro multiplica provocações contra o Supremo Tribunal e apoia manifestantes que defendem uma intervenção militar. REUTERS - Ueslei Marcelino
Texto por: RFI
4 min

O Brasil superou a Itália e se tornou o terceiro país com o maior número de mortos no mundo pelo coronavírus e essa a trágica notícia não passa despercebida na Europa. A imprensa francesa desta sexta-feira (5) destaca o recorde pelo terceiro dia consecutivo, de 1.473 óbitos em 24 horas, totalizando 34.021 mortes no Brasil. No jornal Le Monde, um coletivo de pesquisadores brasilianistas faz um apelo para que líderes europeus reajam a essa catástrofe sanitária.

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"A Europa pode agir impondo severas sanções diplomáticas e comerciais" é o título da coluna assinada por pesquisadores da Rede Europeia pela Democracia no Brasil (Red.Br). Eles se manifestam diante do avanço do coronavírus e do temor da instauração de um regime autoritário no país.

"Batendo o recorde do maior número de mortos por dia da Covid-19, o Brasil efetua um triste retorno ao noticiário com esse drama sanitário, que ataca com força total as populações mais pobres" escrevem os pesquisadores Antoine Acker, Maud Chirio, Olivier Compagnon, Juliette Dumont e Anaïs Fléchet. 

Na tribuna, o coletivo afirma que desde que os governadores estaduais determinaram as primeiras medidas de quarentena, o governo Bolsonaro travou uma queda de braço com as instituições democráticas. "Ele rompeu o pacto federal atacando diretamente as medidas de distanciamento social. Acusado de interferir na polícia para preservar sua família, que tem relações com as milícias mafiosas do Rio de Janeiro, ele multiplicou provocações contra o Supremo Tribunal e apoiou manifestantes que pedem pura e simplesmente seu fechamento", afirma o texto. 

Risco de intervenção militar

Os pesquisadores também temem que "na maior indiferença da comunidade internacional", o presidente brasileiro acabe de vez com a democracia. Eles lembram que Bolsonaro é apoiado por militantes "fanáticos" que realizam nas redes sociais uma campanha em prol de uma intervenção militar. 

Membros do governo e o próprio presidente defendem a ideia, reitera o coletivo. "Para justificá-la, invocam um artigo da Constituição que autoriza as Forças Armadas a agir pela 'manutenção da lei e da ordem'", ressalta a tribuna publicada no Le Monde. Os pesquisadores esclarecem que o artigo 142 é previsto apenas para justificar a ação militar em missões de segurança pública e, sublinham, "em nenhum caso para legitimar um golpe de Estado".

Enquanto isso, o Congresso está "petrificado" diante das dezenas de pedidos de impeachment que se acumulam, tudo isso em meio ao "oportunismo de parlamentares preocupados em conservar seus privilégios, uma oposição inaudível e o medo de represálias das Forças Armadas", reiteram. Os pesquisadores lembram que a cada tentativa de reação por meio de vias legais, o governo faz novas ameaças de impor uma ditadura. 

"A extinção da democracia brasileira vai resultar em graves consequências internacionais", alerta o coletivo da Red. O grupo faz um apelo por uma tomada de consciência das mídias e a da opinião pública da Europa, pedindo que dirigentes da União Europeia apoiem as lideranças democratas brasileiras, a Suprema Corte, os governos estaduais e o Congresso.

"A Europa pode agir impondo ao Brasil sanções severas diplomáticas e comerciais, em particular contra setores ligados ao desmatamento e empresas associadas ao poder bolsonarista", conclui a tribuna.

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