Acessar o conteúdo principal

Bolsonaro acusa “viés ideológico” da OMS e ameaça sair da organização, como Trump

Presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na rampa do Palácio do Planalto. (05/06/2020)
Presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na rampa do Palácio do Planalto. (05/06/2020) REUTERS - ADRIANO MACHADO

O presidente Jair Bolsonaro ameaçou retirar o Brasil da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta-feira (5), ao acusar o organismo de trabalhar com "viés ideológico". O comentário ocorre enquanto os contágios e óbitos pelo novo coronavírus continuam em ascensão no Brasil e no resto da América Latina, em contraste com a situação na Europa e nos Estados Unidos.

Publicidade

"E eu adianto aqui, os Estados Unidos saiu [sic] da OMS. A gente estuda, no futuro... Ou a OMS trabalha sem viés ideológico ou a gente sai de lá também", disse o presidente, admirador do presidente americano, a jornalistas no Palácio da Alvorada, em Brasília.

O Brasil é desde a quinta-feira (4) o terceiro país com o maior registro de mortes, com mais de 35.000 óbitos pela Covid-19. É uma "bomba relógio", resumiu um médico especialista em doenças infecciosas no Paraguai, fronteiriço com o Brasil.

O país vizinho reafirmou nesta sexta que vai aguardar ainda para reabrir a fronteira com o Brasil, onde "a situação é bastante caótica", segundo seu diretor de Vigilância Sanitária, Guillermo Sequera.

Nesta sexta (5), Donald Trump citou o Brasil como exemplo a não ser seguido no combate à pandemia. “Acho que todos acreditam que se tivéssemos buscado a imunidade de rebanho, como dizem, e se você olha para o Brasil, eles estão num momento bem difícil. E, falando nisso, eles continuam seguindo a Suécia. Voltaram a assombrar a Suécia. A Suécia também está passando por dificuldades terríveis. Se tivéssemos agido assim, teríamos perdido 1 milhão [de vidas], 1,5 milhão, talvez 2,5 milhões ou até mais”, afirmou o líder americano.

Desemprego menor que previsto nos EUA

No mesmo pronunciamento, Donald Trump declarou que os Estados Unidos tinham superado "em grande medida" a crise do coronavírus, enquanto comemorou os números positivos do emprego. Ao comentar o índice de desemprego em maio (13,3%, quando os mais pessimistas previam cerca de 20%), Trump elogiou a "fortaleza" da economia americana.

"Tínhamos a maior economia da história. E essa força nos permitiu superar esta horrível pandemia", disse o presidente em tom eleitoral, com vistas às eleições presidenciais de novembro.

A Califórnia, por exemplo, anunciou que a produção de filmes e programas de TV poderá ser retomada em 12 de junho. Os Estados Unidos, país mais castigado pela pandemia, registrou nesta sexta 109.000 das mais de 390.000 mortes que o novo coronavírus causou em todo o mundo, desde que surgiu na China, no ano passado.

Ascensão da curva

A América Latina, ao contrário, segue avançando para o pior momento da pandemia, com números alarmantes em Brasil, Chile, México e Peru, entre outros países. Com 35.026 mortos e 645.771 casos confirmados, o Brasil é o mais afetado da região e o terceiro país do mundo com mais mortes depois dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Com 210 milhões de habitantes, o Brasil não aplicou nenhuma política contra o coronavírus de abrangência nacional. As medidas de contenção decretadas por alguns estados e municípios foram, no geral, menos estritas do que as adotadas na maioria dos países europeus.

"Nada indica que a curva [de mortalidade] diminuirá" no curto prazo no Brasil, alertou o presidente da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Francesc Roca, em declarações à AFP.

Riscos para os indígenas

As Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos alertaram para o "grave risco" que correm os indígenas da Amazônia, lar de 420 povos originários, 60 deles em isolamento voluntário. O cacique Raoni, figura emblemática da resistência indígena no Brasil, acusou o presidente Bolsonaro de "aproveitar" a pandemia para impulsionar projetos que supõem o desaparecimento dos povos originários.

O México, por sua vez, reportou nesta sexta 4.346 novos contágios, totalizando 110.026, e 816 mortes (13.170), após dois dias de recordes nos dois dados. O país começou a afrouxar o confinamento depois de mais de dois meses. O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, pediu à população que não "relaxe a disciplina", mas que tampouco caia na "psicose".

O Peru, segundo país da região em número de casos (187.400) e o terceiro no de óbitos, registrou 5.162 mortes, com um sistema de saúde à beira do colapso pelas mais de 9.000 pessoas hospitalizadas e com grave escassez de oxigênio para pacientes graves.

No Chile, as mortes pelo coronavírus subiram 50% em uma semana e somam 1.448, com 122.499 casos confirmados.

Europa rumo a uma reabertura

 A Europa também se somou ao otimismo, na medida em que a vida volta, aos poucos, ao normal. A União Europeia (UE) informou que poderá abrir as fronteiras a viajantes do continente no começo de julho, junto com a proximidade do verão no hemisfério norte.

Na França, "o vírus continua circulando em certas regiões (...), mas circula em baixa velocidade", declarou François Delfraissy, presidente do conselho científico que assessora o governo. Segundo o especialista, "pode-se dizer, racionalmente, que a epidemia está sob controle" no país, onde a COVID-19 causou 29.065 mortos e 189.441 contágios.

Enquanto isso, o Reino Unido, que demorou a adotar medidas de quarentena, superou nesta sexta as 40.000 mortes pelo novo coronavírus.

Com informações da AFP

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.