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Jornal Les Echos ironiza renúncia de Decotelli: um ministro "cheio de diplomas"

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ao lado de Carlos Alberto Decotelli, que renunciou ao cargo de Ministro da Educação, após informações falsas serem descobertas em seu currículo.
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ao lado de Carlos Alberto Decotelli, que renunciou ao cargo de Ministro da Educação, após informações falsas serem descobertas em seu currículo. AFP - MARCOS CORREA
Texto por: RFI
3 min

“Bom demais para ser verdade.” É assim que o diário francês Les Echos abre sua matéria repercutindo a renúncia do ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, antes mesmo de assumir o cargo, classificando como “grotesca” a atitude do ministro em potencial de ter “trapaceado” em seu currículo.

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A publicação ironiza que, após 18 meses de polêmicas incessantes e uma luta ideológica contra o "marxismo cultural" liderada por antecessores, o Ministério da Educação seria enfim chefiado por um gestor reconhecido por sua capacidade de ponderação, por ser aberto ao diálogo e, além disso, cheio de diplomas.

O problema, destaca Thierry Ogier, correspondente do Les Echos em São Paulo, foi esse oficial da reserva, de 70 anos, simpático à ala militar do governo, não ter hesitado em "inflar" seu curriculum vitae. E ele não fez por menos: mestrado, doutorado, pós-doutorado na Alemanha. Uma brilhante carreira acadêmica que só existiu no papel.

No entanto, assim que Carlos Alberto Decotelli foi oficialmente nomeado para assumir a pasta da educação, a verdade veio à tona. Começando pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, que alegou que sua tese havia sido rejeitada e que o ministro não poderia, então, reivindicar o título de doutor.

"Mas como realizar um pós-doutorado sem ter obtido um doutorado?", se pergunta a publicação francesa. A resposta da Universidade alemã de Wuppertal foi que Docatelli realizou uma pesquisa na instituição por três meses, mas que "não adquiriu nenhum título da universidade".

Um "descuido" acadêmico

Já quanto ao mestrado em Ecociência na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, o jornal descreve a acusação de que sua tese teria sido um plágio, o que Docatelli teria preferido qualificar apenas como um "descuido". Les Echos acrescenta que a FGV-Rio também negou que ele tenha sido professor titular da instituição.

Pego de surpresa, Bolsonaro tentou dar uma segunda chance ao primeiro ministro negro de seu governo. "Todo mundo que o conhece relata sua capacidade de construir uma educação inclusiva", garantiu o presidente de extrema direita.

Na noite da última segunda-feira (29), Carlos Alberto Docatelli voltou a sair com a cabeça erguida de uma reunião com o chefe de Estado. "Eu sou ministro", afirmou ele calmamente, como se nada tivesse acontecido.

Por fim, a data em que ele assumiria o cargo seria adiada sem definição. E diante do escândalo causado pela divulgação do falso currículo, Carlos Alberto Decotelli foi finalmente forçado a renunciar.

O artigo do Les Echos inclui ainda a declaração de Priscila Cruz, presidente da ONG Todos pela Educação: "Um ministro da Educação que mente sobre sua formação acadêmica é extremamente sério. Um cenário, no mínimo, grotesco".

O texto conclui que, com o episódio, o presidente Jair Bolsonaro segue sua missão de procurar seu quarto ministro da Educação em apenas 18 meses.

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