Facebook critica decisão 'extrema' que bloqueia aliados de Bolsonaro nas redes sociais

Presidente brasileiro Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores no jardim do Palácio da Alvorada, em Brasília, em 22 de julho de 2020
Presidente brasileiro Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores no jardim do Palácio da Alvorada, em Brasília, em 22 de julho de 2020 AFP

O Facebook condenou neste sábado (1°) o que chamou de uma decisão "extrema" de um juiz da Suprema Corte do Brasil ordenando que sejam bloqueadas as contas de 12 aliados do perfil do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, e prometeu apelar da decisão.

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A Suprema Corte do Brasil está supervisionando uma investigação sobre as alegações de que membros do círculo interno do presidente de extrema direita fizeram uma campanha nas redes sociais para desacreditar a corte, bem como para caluniar e ameaçar seus juízes.

Como parte dessa investigação, o juiz Alexandre de Moraes ordenou que o Facebook suspendesse as contas de 12 aliados de Bolsonaro e o Twitter outras 16 contas. Os gigantes das mídias sociais dos EUA cumpriram em 25 de julho - mas inicialmente apenas impediram os visitantes no Brasil de visualizar as contas.

Usuários bloqueados contornaram a proibição

Os usuários bloqueados logo contornaram a proibição, dizendo a seus seguidores como alterar as configurações de sua conta para outro país. Moraes então ordenou aos gigantes da mídia social dos EUA na quinta-feira que aplicassem a suspensão em todo o mundo.

Quando o Facebook não cumpriu inicialmente, dizendo que apelaria para o Supremo Tribunal Federal, Moraes multou a empresa em R$ 1,9 milhão e emitiu uma convocação para seu principal executivo no Brasil, Conrado Lester.

"Essa nova ordem legal é extrema, ameaçando a liberdade de expressão fora da jurisdição brasileira e conflitando com leis e jurisdições em todo o mundo", afirmou o Facebook em comunicado. "Dada a ameaça de responsabilidade criminal para um funcionário local, neste momento não vemos outra alternativa a não ser cumprir a decisão bloqueando as contas globalmente, enquanto apelamos ao Supremo Tribunal".

Contexto da briga

A briga acontece quando o Facebook e o Twitter enfrentam uma pressão crescente nos Estados Unidos e em todo o mundo para agir de forma mais agressiva contra o discurso de ódio e as informações falsas em suas plataformas.

No Brasil, isso faz parte da tensão contínua entre Bolsonaro e o Supremo, que também ordenou uma investigação das alegações de que o presidente obstruiu a justiça para proteger os membros de seu círculo interno de investigações policiais.

As contas afetadas incluem figuras de destaque, como o ex-legislador conservador Roberto Jefferson, o magnata Luciano Hang e a ativista de extrema-direita Sara Winter.

(Com informações da AFP)

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