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Brasil impede Médicos sem Fronteiras de atender indígenas contra Covid-19 no MS

Brasil impede Médicos sem fronteiras de entrar em comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul. Na foto, membros da tribo Terena em 2013.
Brasil impede Médicos sem fronteiras de entrar em comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul. Na foto, membros da tribo Terena em 2013. REUTERS/Lunae Parracho
Texto por: Cristiane Capuchinho
4 min

O governo brasileiro não autorizou a organização Médicos sem Fronteiras a prestar atendimento em sete comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul. Os Terenas pediram ajuda à ONG francesa em julho para combater o avanço do coronavírus nas aldeias.

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Em um comunicado, a Médicos sem Fronteiras afirmou ter apresentado um projeto de ação nas sete comunidades sul-matogrossenses. A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), no entanto, negou a autorização ao grupo, dizendo que o plano apresentado pelos médicos não trazia precisões sobre os locais de atendimento, datas e meios a serem empregados.

O órgão dedicado à saúde indígena afirmou ainda ter aceitado a ajuda de um grupo de trabalho da entidade francesa, com um médico, três enfermeiros e um psicólogo, na aldeia Aldeinha, no município de Anastácio (MS). De acordo com o comunicado da Sesai, seria ali a maior taxa de incidência de casos de Covid-19.

A Médicos sem Fronteiras, contudo, diz que a comunidade aceita, a menos de 5 km de um grande município e com apenas 500 pessoas, não fazia parte da primeira proposta do grupo.

A ONG  afirma já ter apresentado uma nova proposta de atendimento em ações coordenadas com o distrito de saúde local para 11 comunidades indígenas e cerca de 6.000 pessoas. O objetivo será detectar casos suspeitos de Covid-19 e prevenir o contágio.

"O que vimos quando chegamos em final de julho é que a incidência de casos entre os Terenas era particularmente alta em comparação com outros grupos indígenas da região", afirma a coordenadora de emergência dos projetos do MSF no Brasil, Dounia Dekhili. "Sabemos que o vírus uma vez dentro da comunidade propaga-se rapidamente, por isso a urgência de ir a essas comunidades remotas que não têm acesso fácil a serviços de saúde e poder testar e isolar os casos positivos, evitando a contaminação de outros", completa.

Covid entre indígenas

A pandemia do coronavírus tem atingido duramente as comunidades indígenas brasileiras. De acordo com a contagem feita pela Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), já são 26.615 casos de indígenas contaminados pelo coronavírus e 70 mortos até esta sexta-feira (21).

Para a Apib, a proibição da entrada do grupo da Médico sem Fronteiras nas comunidades Terena do Mato Grosso do Sul "pode agravar os casos de contaminação na região".

O grupo indígena fez o pedido de autorização para entrada dos médicos voluntários no dia 24 de julho, quando seis indígenas do povo Terena haviam morrido pela Covid-19. No dia 19 de agosto, a comunidade já contava 41 mortos pela doença, além de 1.239 contaminados, segundo levantamento feito pelo Conselho Terena e pela Apib.

70% das terras indígenas estão fora do plano federal

Desde o início da pandemia, o governo brasileiro tem sido acusado pelos grupos indígenas de não tomar medidas para proteger essa população mais vulnerável em questão de imunidade. Em julho, o presidente Jair Bolsonaro chegou a vetar partes de uma lei que previa medidas de emergência para o cuidado das comunidades indígenas.

A decisão foi alterada mais tarde pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que obrigou o governo a criar barreiras sanitárias e um plano de enfrentamento para a doença aos indígenas.

No entanto, o plano de instalação de barreiras sanitárias para proteger as aldeias feito pelo governo federal deixou de fora 70 % das terras indígenas, de acordo com um documento de grupo de trabalho do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos publicado nesta semana pelo jornal O Globo.

De acordo com o relatório, os indígenas instalaram metade das 274 barreiras sanitárias por conta própria, sem participação do órgão federal responsável pela proteção dessas comunidades, a Funai.

 

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