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Desfile solidário de estilista brasileira na França destaca sustentabilidade e inserção social

Áudio 06:55
A estilista franco-brasileira Márcia de Carvalho
A estilista franco-brasileira Márcia de Carvalho © Elcio Ramalho/RFI
Por: Elcio Ramalho
13 min

Na 4ª edição de seu Desfile Solidário, a estilista Márcia de Carvalho levou ao pavilhão dos antigos estábulos reais da cidade de Versalhes, nos arredores de Paris, suas novas criações feitas com materiais reciclados de meias e tecidos. Na passarela, desfilaram manequins amadores, voluntários, representantes da comunidade LGBT+, pessoas com necessidades especiais, além de crianças e adultos que participam de um projeto fundado por ela de inserção social e de desenvolvimento sustentável.

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No momento em que muitos profissionais de moda se adaptam às mudanças provocadas pela pandemia da Covid-19, a estilista franco-brasileira conseguiu exibir sua coleção em um desfile presencial na Écuries Royales du Château de Versailles, um prestigioso edifício usado pela monarquia francesa localizado em frente ao Palácio de Versalhes. 

Nesta nova edição do Desfile Solidário, a primeira realizada fora da capital, foram apresentadas roupas e acessórios elaborados a partir do trabalho realizado pela Associação Chaussettes Orphelines (Meias Órfãs, em português), criada pela paulista Márcia de Carvalho em 2008, para reciclagem de meias que se transformam em fios e malhas. 

A Ong faz uma triagem de meias que depois são separadas por cores, evitando tintura e a utilização de água, permitindo uma reciclagem de maneira mais sustentável. O trabalho de separação é feito por pessoas desempregados e com deficiências e necessidades especiais. “É um trabalho muito rico em termos de  inclusão social, solidariedade e de inserção econômica também”, diz a estilista sobre o projeto, que tem parcerias com órgãos públicos como o Ministério francês da Transição Ecológica, empresas e Ongs de promoção da diversidade e da igualdade social.

Nova coleção 

O planeta e a feminilidade inspiraram a nova coleção de Márcia de Carvalho, que apresentou suas criações em oito etapas. Logo no início, dezenas de modelos circularam com os vestidos feitos de malhas recicladas onde foram escritos os 17 objetivos do milênio definidos pela ONU para promover o desenvolvimento sustentável do planeta.  

Cavalos da Academia Equestre de Versalhes participaram do desfile montados por cavaleiras exibindo roupas com bordados e adereços produzidos por mulheres que participam do projeto Chaussettes Orphelines por meio de ateliês desenvolvidos nas chamadas Casas de Acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Grupos de  crianças que participam dos ateliês promovidos na Goutte D’Or, conhecido bairro popular no norte de Paris, também desfilaram com roupas estampadas com bordados produzidos por elas nas oficinas de reciclagem. “É o melhor momento de apresentar o trabalho dessas crianças”, destaca a estilista. 

O público, acomodado respeitando as regras de distanciamento físico, aplaudiu com entusiasmo as modelos com necessidades especiais que também dividiram a cena com outros voluntários. “Tem manequins de todas as idades, de diferentes estilos, é um aspecto de inclusão, mas sem tornar uma coisa normativa”, explica a estilista sobre a diversidade de perfis escolhidos para o evento. 

O desfile foi também a ocasião de mostrar o que ela aponta como uma novidade: a evolução da técnica de transformar as meias em fios, malhas e agora também em tecido. 

“A gente mistura fios, linho, que é uma fibra natural pouco poluente.  Não fazemos apenas malhas, agora também tecidos. Isso dá uma outra direção. Esse trabalho de transformar o têxtil em fio e em seguida, em novos produtos, com tricô e também agora tecendo, o que é uma novidade, abre uma oportunidade incrível. E eu acho que é inspiradora para a indústria têxtil, que é muito poluidora”, afirma a estilista, vencedora em 2017 do Prêmio de  Inovação da Prefeitura de Paris.  

“Os prêmios são um reconhecimento público interessante, permitindo que o projeto fique mais conhecido e permite uma maior abertura”, ressalta. 

A pandemia da Covid-19, que atingiu fortemente o mundo da moda, também é uma ocasião para o setor se repensar e se reinventar, segundo Márcia de Carvalho. “Há duas coisas muito importantes. Uma é a questão do ‘local’, temos que fabricar mais localmente, e a pandemia mostra isso. E é o que já fazemos. No nosso caso, temos vários ateliês que trabalham conosco e ficam no mesmo bairro. Além disso, há o aspecto humano, que particularmente, acho delicioso. A gente vê, fala com as pessoas, cria laços humanos. O trabalho quando é feito assim, tem muito sentido”, garante.  

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