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Carrefour condena em nota morte de cliente negro; protestos eclodem pelo Brasil

Frame do vídeo em que João Alberto de Freitas é agredido por seguranças de um supermercado Carrefour, na Zona Norte de Porto Alegre.
Frame do vídeo em que João Alberto de Freitas é agredido por seguranças de um supermercado Carrefour, na Zona Norte de Porto Alegre. © Reprodução Twitter @raullsantiago
Texto por: RFI
4 min

A morte, na quinta-feira (19) à noite, de um cliente negro espancado por seguranças brancos em um supermercado do grupo Carrefour na zona norte de Porto Alegre, desencadeou uma onda de indignação no Brasil, que comemora o Dia da Consciência Negra nesta sexta-feira (20). Carrefour reagiu ao episódio.

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Um vídeo gravado por uma testemunha, divulgado na mídia e nas redes sociais, mostra o momento em que João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, levou vários socos no rosto por um dos policiais enquanto o outro o segurava. Em outras imagens vê-se os serviços de emergência realizando uma massagem cardíaca no homem deitado em frente à entrada de um supermercado. Ele morreu na hora.

Segundo a Polícia Militar, Freitas discutiu com um trabalhador de supermercado, que chamou seguranças. Os dois agressores foram presos. Um deles é policial militar que trabalha para empresa de segurança privada nas horas de folga da corporação.

A subsidiária brasileira do grupo Carrefour lamentou a "morte brutal" de João Alberto Silveira Freitas e disse que tomaria "as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste processo". O comunicado fala ainda de um "profundo pesar e consternação" pela morte de Freitas.

A Rede Carrefour afirmou ainda na nota oficial que nenhum tipo de violência ou intolerância pode ser aceita pelas lojas no Brasil e que o contrato com a empresa de segurança, onde trabalhava o agressor, foi rompido. O Carrefour disse ainda que o funcionário responsável presente no momento dos acontecimentos também será demitido e, "por respeito à vítima", a loja será fechada. 

A morte de João Alberto Silveira Freitas não é um caso isolado. A rede Carrefour possui um histórico de maus tratos, violência e discriminação com clientes. Em 2019, um vídeo nas redes sociais mostrando um adolescente com a calça abaixada levando golpes de chicote do segurança num Carrefour de São Paulo chocou o Brasil. Em 2020, outro supermercado da rede, também em São Paulo, continuou aberto mesmo após a morte de um homem dentro de sua loja.

Indignação

O acontecimento gerou indignação nas redes sociais e estará no centro de protestos e manifestações programadas para esta sexta-feira (20) por ocasião do Dia da Consciência Negra, feriado em vários estados.

“Todos os dias, a estrutura racista deste país nos traz a brutalidade como única regra”, escreveu no Twitter Raull Santiago, um ativista de direitos humanos muito presente nas favelas do Rio.

"Parece que não há saída. Mesmo no dia da consciência negra", lamentou Richarlison, o atacante da Seleção que joga pelo Everton (1ª divisão inglesa). “Eles espancaram até a morte um negro na frente das câmeras. A violência e o ódio perderam todo o pudor”, acrescentou, cantando os nomes dos brasileiros João Pedro, 14, e Evaldo Santos, músico de 51 anos, assim como o do americano George Floyd, referindo-se a outros negros que morreram em consequência da violência policial.

No Brasil, último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888, mais da metade dos 212 milhões de habitantes é negra ou parda. De acordo com o "Atlas da Violência" publicado em agosto passado, o número de assassinatos de negros aumentou 11,5% entre 2008 e 2018, enquanto entre os não negros diminuiu 12,9%.

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