Fraca incidência da variante brasileira na França intriga jornal Libération

Jornais franceses continuam dando destaque para a crise sanitária sem precedentes no Brasil.
Jornais franceses continuam dando destaque para a crise sanitária sem precedentes no Brasil. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas

No dia seguinte à suspensão dos voos entre a França e o Brasil para barrar a propagação da variante brasileira, que preocupa as autoridades sanitárias mundiais, a imprensa francesa desta quinta-feira (15) examina em detalhes os riscos da P1, que tem ainda uma presença insignificante na França.

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A "tragédia brasileira" está estampada na primeira página do jornal Libération desta quinta-feira, 15 de abril. “Suicida”, diz o editorial do jornal para descrever a situação sanitária no Brasil. O país é a imagem de uma pandemia fora de controle, descreve o texto. Ele registrou o maior número de mortos pela Covid-19 do mundo nesta semana, com um balanço três vezes superior ao dos Estados Unidos.

“O colapso sanitário é sem precedentes” e com mais de 360 mil óbitos, o Brasil é o segundo país do mundo em vítimas fatais pelo coronavírus, informa o diário. “A gestão da crise pelo presidente Bolsonaro é incompreensível”, segundo a reportagem, e a situação continua a se agravar devido à variante brasileira P1, muito mais virulenta, que submerge o país e “ameaça o mundo” se não for controlada.

Por que P1 não avança na França?

A variante brasileira inquieta os franceses há uma semana e provocou a suspensão dos voos diretos entre a França e o Brasil desde quarta-feira (14). Mas a proporção de contágios pela P1 no país é mínima e Libération se pergunta “por que a variante brasileira não avança na França?”

Apesar de ela ser muito mais contagiosa, as infecções pelas variantes sul-africana e brasileira no país são inferiores a 4%, mas a situação pode evoluir, acredita o jornal.

A variante britânica está muito mais presente no território francês. Ela é responsável por cerca de 85% dos casos detectados atualmente e, por isso, tem um potencial de transmissão mais importante. “É a variante britânica que nos protege da variante brasileira”, esclarece o virologista Bruno Lina. No entanto, “o aumento da imunidade coletiva poderá acelerar as infeções pela variante brasileira e também pela sul-africana, que apresentam mutações adicionais”. Por enquanto, o especialista descarta um cenário catastrófico pois, “mesmo vacinas com uma eficácia modesta, como a chinesa Coronavac, muito utilizada na América do Sul e no Brasil, podem não evitar novas infecções, mas impedem o desenvolvimento de formas graves da Covid-19”.

Resistência potencial a vacinas disponíveis

O jornal Le Monde também se interessa pela P1 e responde a várias questões sobre a variante brasileira. Ela representa, segundo o veículo, apenas 0,5% das contaminações atuais na França. Mesmo assim, o governo decidiu suspender o tráfego aéreo direto entre os dois países pelo menos até 19 de abril para conter sua propagação.

O texto explica que os cientistas não conhecem ainda muito bem a P1. Sabem que ela é mais contagiosa e levanta várias questões, principalmente em relação à sua “potencial resistência às vacinas disponíveis”.

O diário Le Figaro investigou se todos os voos prevenientes do Brasil foram realmente interrompidos desde ontem, quando entrou em vigor a decisão do governo. Os voos diretos sim, pois somente a Air France ainda mantinha viagens entre Paris e o Brasil, garante a reportagem. Mas uma passagem para o Rio de Janeiro ou São Paulo, em um voo com escala passando por um outro país europeu que ainda não fechou suas fronteiras com o Brasil, pode ser comprada sem problemas nos sites de reservas, informa o jornal conservador.

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