Gigante agrolimentar brasileira JBS afirma ser vítima de ataque cibernético russo

Escritórios da JBS na Austrália, a oeste de Brisbane, em 1º de junho de 2021.
Escritórios da JBS na Austrália, a oeste de Brisbane, em 1º de junho de 2021. Patrick Hamilton AFP

A lista de vítimas mundiais do hacking em larga escala cresce a cada dia: a subsidiária norte-americana da empresa brasileira JBS, uma das líderes mundiais em carnes, se declarou alvo de um "ataque cibernético organizado" que afeta diretamente suas operações na Austrália e na América do Norte. A JBS disse às autoridades dos EUA que recebeu pedido de resgate de uma "organização criminosa provavelmente com sede na Rússia", segundo informações da Casa Branca desta terça-feira (1°).

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"A Casa Branca está em contato direto com o governo russo sobre esta questão e está enviando a mensagem de que os estados que mostram responsabilidade não devem abrigar autores de ransomware", disse a porta-voz da casa Branca, Karine Jean-Pierre.

O "ransomware" é um processo que explora brechas de segurança para bloquear sistemas de computador e exigir resgate para desbloqueá-los. Foi um ataque desse tipo que teve como alvo o operador de gigantesco oleoduto norte-americano, o Colonial Pipeline, no início de maio, e causou grandes problemas de abastecimento de gasolina no sudeste dos Estados Unidos por vários dias.

“A Casa Branca ofereceu assistência à JBS, e tanto nossa equipe quanto o Ministério da Agricultura conversaram com seus dirigentes em diversas ocasiões”, indicou também Jean-Pierre. O ataque à subsidiária norte-americana do JBS, grupo brasileiro, foi tornado público na segunda-feira (31).

O ataque paralisou as atividades dos sites da JBS na Austrália na segunda-feira e levou à suspensão de certas linhas de produção ou sites inteiros nos Estados Unidos e Canadá nesta terça-feira (1°).

Todos os sistemas afetados pelo ataque ao computador foram desligados e os servidores que fornecem os backups não foram afetados, especificou o grupo na segunda-feira, indicando que havia entrado em contato com as autoridades. 

“Nesta fase, a empresa não tem conhecimento de qualquer uso indevido de dados dos seus clientes, fornecedores ou colaboradores decorrente desta situação”, acrescentou a empresa, alertando ainda que as transações com os seus clientes e fornecedores podem ser “desaceleradas”.

Na Austrália, no entanto, os negócios foram completamente paralisados ​​e os 10.000 trabalhadores da JBS mandados para casa sem remuneração, disse o sindicalista Matt Journeaux à agência AFP. A administração da subsidiária ainda não sabe quando as atividades podem ser retomadas, acrescentou.

Nos Estados Unidos, algumas linhas de produção foram suspensas nesta terça-feira em pelo menos dois locais do grupo em Iowa e um matadouro foi fechado em Wisconsin, segundo mensagens postadas na página oficial no Facebook. Uma fábrica em Utah também foi fechada, de acordo com um funcionário que não quis fornecer seu nome.

No Canadá, um matadouro que emprega mais de 3.300 pessoas teve que cancelar três turnos na segunda e terça-feira, de acordo com a página no Facebook. Mas a produção deve ser retomada "conforme programado" nesta terça-feira para uma das duas equipes, acrescentou.

Ataques cibernéticos focam em grandes grupos

A JBS, especializada em produtos bovinos, de frango e suínos, é uma das maiores empresas de alimentos do mundo. Além do Brasil e de outros países da América Latina, está presente nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido.

O ministro da Agricultura australiano, David Littleproud, disse em um comunicado que tinha sido informado sobre o ataque, mas não quis comentar "até que mais detalhes estejam disponíveis".

A JBS possui 84 ​​locais nos Estados Unidos, 47 na Austrália e 5 no Canadá, desempenhando importante papel no setor agrícola desses países. As ofensivas contra grupos econômicos importantes aumentaram nos últimos meses.

As autoridades norte-americanas atribuíram a culpa pelo ataque ao DarkSide, um grupo de cibercriminosos que se acredita estar baseado na Rússia, acusação que Moscou refutou. No processo, Washington tomou medidas para melhorar a segurança cibernética nos Estados Unidos.

O ataque à SolarWinds, empresa de software com sede no Texas, já havia abalado o governo dos Estados Unidos e a segurança de grandes empresas em dezembro.

Mais recentemente, o email da Microsoft foi hackeado, um ataque desta vez atribuído a um grupo de hackers chineses apoiado por Pequim, que afetou pelo menos 30.000 organizações norte-americanas, incluindo empresas, cidades e comunidades locais.

(Com AFP)

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