Pedido de impeachment deixa Bolsonaro "sob turbulências", afirma jornal francês

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em 1° de junho de 2021 no Palácio do Planalto, em Brasília.
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em 1° de junho de 2021 no Palácio do Planalto, em Brasília. EVARISTO SA AFP/Archivos

O jornal Les Echos desta quarta-feira (30) traz uma matéria sobre as turbulências no governo brasileiro devido às denúncias de irregularidades na compra de vacinas contra a Covid-19. "Bolsonaro suscita uma crescente oposição" é manchete no diário.

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"O Brasil entrou em uma nova fase de turbulências e Jair Bolsonaro está cada vez mais na defensiva", escreve o correspondente de Les Echos em São Paulo, Thierry Ogier. A matéria lembra que um novo pedido de impeachment será entregue nesta quarta-feira em Brasília por diversos movimentos de esquerda, mas também por políticos de outras orientações decepcionados com o bolsonarismo.

Além da má gestão da crise sanitária - que deixou mais de 500 mil mortos no Brasil -, o presidente também enfrenta acusações de corrupção, suspeito de ter ignorado irregularidades graves nas negociações para a compra de vacinas. Les Echos ressalta que duas testemunhas, entre eles o deputado bolsonarista Luis Miranda (DEM/DF), afirmaram na CPI da Covid que Bolsonaro foi avisado sobre a série de falhas que havia no processo, mas ele teria feito vistas grossas e é agora acusado de "prevaricação", um crime previsto no Código Penal brasileiro. 

Entrevistado pelo diário, Carlos Melo, professor de Ciências Políticas no instituto Insper, acredita que, depois das manifestações de rua contra o presidente nas últimas semanas, essa é "uma etapa suplementar no processo de enfraquecimento gradual de Bolsonaro". Segundo ele, esse novo pedido de impeachment pode ser um elemento a mais na mobilização da sociedade contra o presidente brasileiro. 

Denúncias graves

Segundo a matéria, as denúncias são graves, especialmente para um líder que garantia não ter nenhuma relação com qualquer tipo de corrupção e que agora afirma que não pode estar a par de tudo o que ocorre nos ministérios. Pressionado, Bolsonaro não poupa ataques contra a imprensa e vem mandando os jornalistas se calarem, acusando-os de fazerem "perguntas idiotas", além de afirmar que as grandes mídias realizam um "jornalismo canalha". 

Les Echos destaca que o presidente tenta mobilizar a qualquer custo seus apoiadores que, "nas redes sociais divulgam vídeos pedindo para o povo brasileiro se preparar para uma guerra civil". Segundo Bolsonaro, apenas Deus pode tirá-lo do poder. 

Enquanto isso, o ex-presidente Lula continua subindo nas pesquisas de opinião de voto. A pouco mais de um ano das eleições presidenciais, um terço dos brasileiros que votaram em Bolsonaro em 2018 dizem que não repetirão a escolha em 2022. Já o líder do PT tem possibilidades de se eleger no primeiro turno, segundo as últimas sondagens, conclui o jornal Les Echos desta quarta-feira. 

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