Mídia francesa destaca hospitalização de Bolsonaro em um momento de crise política e queda de popularidade

Ambulância leva o presidente do Hospital das Forças Armadas em Brasília para uma base aérea, de onde foi transportado para São Paulo. (14/07/2021)
Ambulância leva o presidente do Hospital das Forças Armadas em Brasília para uma base aérea, de onde foi transportado para São Paulo. (14/07/2021) AP - Eraldo Peres

Vários jornais e sites franceses noticiam nesta quinta-feira (15) a hospitalização do presidente brasileiro. Todos ressaltam que a internação acontece em um momento de crise política no Brasil e queda de popularidade de Jair Bolsonaro.

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Le Monde e Le Figaro informam que Bolsonaro foi transferido na quarta-feira (14) de Brasília para São Paulo, onde está internado em um hospital particular. O presidente brasileiro sofre de obstrução intestinal. Uma cirurgia de urgência foi excluída por enquanto, mas ele ficará internado e receberá um tratamento clínico, esclarecem os jornais.

A mídia francesa indica que inicialmente Bolsonaro foi levado ao Hospital das Forças Armadas de Brasília por uma crise de soluço persistente, que já durava 10 dias. As matérias lembram que o presidente de extrema direita passou por várias cirurgias após a facada que levou em 2018.

Tese de tentativa de assassinato reiterada

Le Figaro salienta que o presidente mantém viva a tese de que a facada foi uma tentativa de assassinato planejada, com apoio político. A tese foi reiterada novamente agora por Bolsonaro em um tuíte. No post sobre seu estado de saúde, reproduzido pelo jornal conservador, o chefe de Estado afirma que "enfrenta um novo desafio, em consequência da tentativa de assassinato feita por um ex-militante do PSOL, da ala esquerda do PT, para impedir a vitoria de milhões de brasileiros".

Vários jornais, como Le Monde, escrevem que “a nova hospitalização do presidente brasileiro acontece em um contexto de crise política no Brasil e de queda de popularidade de Bolsonaro”. O apoio ao presidente encolhe com as acusações de corrupção na compra de vacinas anticovid feitas na CPI. As últimas pesquisas indicam que, se a eleição presidencial fosse hoje, Bolsonaro seria derrotado pelo ex-presidente Lula, revelam os jornais.

Crise de soluço

Desde a manhã de quarta-feira as televisões e a mídia brasileira destacam ininterruptamente a crise de soluço, a obstrução intestinal e a hospitalização do presidente, ressalta Libération. A matéria publicada pelo jornal começa dizendo que "ninguém deseja isso ao pior inimigo, mas que é difícil não sorrir com a notícia da crise de soluço" do chefe de Estado brasileiro. “Jair Bolsonaro, que afirma não ter medo de nada, estaria sendo vencido por um simples soluço?”, ironiza o diário progressista.

O texto receita ao presidente brasileiro o método tradicional de prender a respiração para acabar com o soluço. “Algumas pessoas apreciariam que durante esse tempo ele não poderia dizer nenhuma estupidez”. Lembrando ainda que Bolsonaro não confia nos médicos, o jornal aconselha também o presidente brasileiro a ter paciência e a bater o recorde de Charles Osborne, um americano que soluçou durante 68 anos.

O diário escreve que “enquanto Bolsonaro está nas mãos dos melhores médicos do país, os hospitais brasileiros estão em situação de colapso por causa da pandemia”. O texto denuncia a “irresponsabilidade do presidente” que sistematicamente se recusou a tomar as medidas sanitárias necessárias para frear a explosão de casos de Covid-19.

Quase 540 mil pessoas já morreram no Brasil desde o início da pandemia e há dois meses a CPI da Covid no Senado sobre a má gestão da crise “evidencia a negação total do governo”, aponta o jornal francês.

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