Em Angola, Mourão diz que Bolsonaro tem condições de terminar mandato tranquilamente

Vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, concede entrevista em Luanda,  em 16 de Julho.
Vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, concede entrevista em Luanda, em 16 de Julho. © Romério Cunha

Em Luanda, o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, rejeitou a hipótese de ter de assumir a presidência por conta dos problemas de saúde de Jair Bolsonaro. “Acho que ele tem condições, desde que se cuide efetivamente, de terminar o governo tranquilamente. É que ele não pode cometer determinados excessos alimentares, esta é a realidade”, afirmou, nesta sexta-feira (16).

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Carina Branco, correspondente da RFI em Luanda

O vice-presidente participa em Angola da reunião da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Mourão viajou para o país africano na quarta-feira (14), mesmo dia em que Bolsonaro teve de ir a São Paulo para fazer exames por conta de uma obstrução intestinal.

Nesta sexta-feira, em entrevista à RFI, Mourão afirmou que a obstrução intestinal foi um problema decorrente da facada que atingiu o presidente durante sua campanha eleitoral, e que o levou a fazer três cirurgias. Ainda segundo o vice, o presidente está melhorando e deve voltar a Brasília no final de semana.

Pela manhã, Bolsonaro publicou em suas redes sociais uma imagem em que aparece andando pelos corredores do hospital.

Perguntado se poderia ter de assumir o cargo em caso da piora das condições de saúde do presidente, Mourão descartou a hipótese. “Acho que ele tem condições, desde que se cuide efetivamente, de terminar o governo tranquilamente. É que ele não pode cometer determinados excessos alimentares, esta é a realidade”, disse.

Governo brasileiro quer pacificação entre Universal e Angola

Em relação aos problemas que a Igreja Universal do Reino de Deus vem enfrentando em Angola, Mourão afirmou que o governo brasileiro quer uma pacificação da situação. Citando a importância da Igreja no plano político brasileiro, pediu que o governo angolano receba uma delegação parlamentar para tratar sobre o assunto.

“Essa questão com a Igreja Universal aqui afeta o governo e a sociedade brasileira pela penetração que essa igreja tem e pela participação política que ela possui, com o Partido Republicano. Ela não está só no plano espiritual, está também no plano político. Ela tem uma rede de televisão, que é a Rede Record, que funcionava aqui e agora está sem funcionar”, comentou.

“Nós temos de buscar uma pacificação, apesar de ser uma questão privada, o governo brasileiro gostaria que se chegasse a um consenso entre essas duas partes e que o Estado angolano recebesse a delegação parlamentar brasileira, que quer vir aqui, para tentar chegar a um acordo que arrefeça as diferenças que ocorreram”, completou.

Em 2020, a Justiça angolana fechou e confiscou sete templos da Igreja Universal do Reino de Deus. A igreja é acusada de prática dos crimes de associação criminosa, fraude fiscal e exportação ilícita de capitais. 

Quase 300 bispos angolanos da IURD se afastaram da liderança brasileira, denunciando práticas contrárias à "realidade de Angola e da África" e acusando a igreja de sonegação fiscal.

Em abril deste ano, sete pastores da IURD receberam ordem de expulsão do país.

Brasil pode ajudar contra terrorismo em Moçambique

Mourão disse, ainda, que o Brasil está disponível para ajudar Moçambique na luta contra o terrorismo em Cabo Delgado se esse apoio for solicitado.

“O Brasil, nos anos 1990 já participou numa força de paz em Moçambique, teve até o comando de um general brasileiro (...) Caso haja algum tipo de intervenção de organismos multilaterais, seja das Nações Unidas ou da União Africana e solicitar a participação o Brasil, nós vamos estudar e olhar, não vamos fugir às nossas responsabilidades, até porque esse nosso relacionamento com os países africanos é importantíssimo dentro daquela posição que o Brasil quer de assumir em relação aos demais países”, garantiu.

A reunião da Comunidade de Países de Língua Portuguesa termina neste sábado (17).

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