Jornal francês traz perfil do "capitão explosivo" e imaturo que foi Jair Bolsonaro

Le Figaro publica imagem de Jair Bolsonaro em 1988, quando ele se candidatou pela primeira vez para vereador no Rio de Janeiro.
Le Figaro publica imagem de Jair Bolsonaro em 1988, quando ele se candidatou pela primeira vez para vereador no Rio de Janeiro. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas

Em uma série especial de verão, o jornal Le Figaro publica, nesta terça-feira (27), um perfil sobre o presidente Jair Bolsonaro enfocando, principalmente, o seu passado militar. "Antes de passar 27 anos no Congresso como deputado e ser eleito presidente, em 2018, Bolsonaro passou 15 anos no Exército, onde criou vários conflitos com seus superiores hierárquicos devido a um temperamento rebelde e indisciplinado", explica o diário francês.  

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"Jovem tenente, Bolsonaro criou confusão com a hierarquia quando se envolveu em negócios pouco compatíveis com seu status de militar", relata o jornal, citando os períodos em que Bolsonaro tentou ser agricultor, no sul do país e, posteriormente, garimpeiro de ouro no nordeste. Mesmo assim, ele foi promovido a capitão, em 1983, quando tinha 28 anos. 

Le Figaro cita comentários feitos pelo coronel Carlos Alberto Pellegrino, que foi superior hierárquico de Bolsonaro e uma das fontes ouvidas pelo jornalista Luiz Maklouf Carvalho para o livro "O Cadete e o Capitão – A Vida de Jair Bolsonaro no Quartel". Segundo o diário francês, Pellegrino detectou precocemente sinais de imaturidade em Bolsonaro, além de "uma ambição financeira e econômica excessiva".

"Ele tinha a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos”, disse Pellegrino em trecho do livro reproduzido pelo jornal francês. 

O fim da carreira militar de Bolsonaro começou a se delinear quando ele publicou um artigo na revista Veja, em 1986, reclamando dos baixos salários dos cadetes. Vem dessa época a popularidade que ele ganhou na base do Exército, até hoje um elemento importante de seu eleitorado mais fiel, observa o diário. A gota d'água foi a descoberta, no ano seguinte, que ele e um amigo de farda, Fábio Passos, tinham um plano de explodir bombas em unidades militares do Rio de Janeiro para pressionar o comando.

Bombas e afastamento do Exército

O caso das bombas levou Bolsonaro a julgamento, conta o Le Figaro. Condenado inicialmente, depois absolvido pelo Superior Tribunal Militar, ele acabou sendo isolado dentro das Forças Armadas até abandonar a carreira para se aventurar na política. 

"A passagem pelo Exército revelou o Bolsonaro atual: ambicioso, polêmico, intrépido, insubordinado, um homem que mistura realidade e ficção, uma personalidade considerada imatura por seus superiores e incapaz de comandar ou, ao contrário, um carismático", sintetiza o diário francês.

O que veio depois todos sabem, conclui em tom de ironia Le Figaro.

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