Evento online destaca potencial do mercado brasileiro de videogames

As exportações de games brasileiros cresceram 600% desde 2014
As exportações de games brasileiros cresceram 600% desde 2014 AFP/File

A Embaixada Brasileira no Japão promove até sexta-feira (24), em parceria com a Apex (Agência Brasileira de Promoção e Exportações de Investimentos) e a Abragames (Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos), a “Brazilian Game Week”, um evento digital que ocorre simultaneamente em mais de 20 países e visa divulgar o talento de desenvolvedores e estúdios brasileiros.

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O Brasil representa cerca de US$ 1,7 bilhão do mercado global de videogames. Cerca de 72% dos brasileiros têm o hábito de jogar com esses produtos, segundo dados da Apex. Desde 2014, a agência promove com a Abragames o Brasil Game Show, a maior convenção de jogos eletrônicos da América Latina.

O potencial do mercado brasileiro não passa despercebido no exterior e muitos desenvolvedores e estúdios como o Aquiris Game Studio, de Porto Alegre, se destacam na cena internacional. As exportações brasileiras de jogos aumentaram cerca de 600% desde 2014 e 90% dos estúdios exportam seus serviços. Outros jogos e empresas podem ser citados, como "Dandara", do estúdio Long Hat House, "Out of Space", da Behold Studios, ou ainda "Sky Racket", da Double Dash Studios.

Foi com o intuito de promover ainda mais o game “Made in Brazil” que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) criou a “Brazilian Week Games”, a semana do videogame brasileiro. “O Japão tem uma relação cultural muito forte com os jogos eletrônicos ”, explicou à RFI João Eduardo Martin, da Embaixada do Brasil em Tóquio, que promove o projeto. “A epidemia alavancou a venda e o uso de jogos no mundo inteiro. O Brasil surfou nessa onda e aproveitou essa oportunidade. A venda de jogos e consoles brasileiros aumentou no país e no mundo”, analisa.

O evento online pode ser acompanhado nas redes sociais das embaixadas brasileiras em vários países e apresenta, em cada dia desta semana, um tema diferente. Nesta terça-feira (21), são exibidos os jogos de maior destaque no país, disponíveis para console, PC ou celular.

Nesta quarta-feira (22), o foco é no E-sport, e os gamers podem inclusive testar os jogos. O Brasil conta com muitos jogadores profissionais. Um exemplo são os clássicos Battle Royale e League of Legends. João Eduardo Martin lembra que o país vai abrigar a maior arena do mundo de Battle Royale, que está sendo construída dentro do Pacaembu e deve ficar pronta em novembro de 2021. Ela vai sediar, por exemplo, competições de Fortnite e Free Fire, com suporte para 100 jogadores simultâneos e capacidade para 2.000 espectadores.

“O Brasil tem várias equipes de E-sport que atuam em alto nível, em competições internacionais e espectadores que assistem aos torneios”, diz Martin. Isso tem atraído muitas empresas que usam marcas para promover jogos, ou jogos para promover marcas, afirma.

Na quinta-feira (23), serão apresentados os games voltados para a educação e saúde ou outros setores, focados mais nos serviços do que no lazer. O Brazilian Week Games termina na sexta-feira com um panorama dos jogos e aplicativos que utilizam a realidade virtual.

A  Brazilian Game Week visa promover empresas e desenvolvedores no Brasil
A Brazilian Game Week visa promover empresas e desenvolvedores no Brasil © Divulgação

Trabalho terceirizado

O representante da embaixada brasileira no Japão explica que muitos profissionais brasileiros desenvolvem trabalhos terceirizados para outras grandes empresas de criação de partes específicas do jogo, como modelagem em 3D, ilustração e código.

“Existe uma falta de conhecimento sobre a indústria e o jogo brasileiro. Há uma oferta imensa de jogos lançados em todo o mundo, nas mais diversas plataformas, e muitas vezes esses jogos são brasileiros, mas o jogador não reconhece a origem”, diz. “Nossa ideia foi destacar a qualidade do jogo brasileiro e o seu desempenho. Este é o caso das desenvolvedoras brasileiras, mas também dos profissionais que trabalham na indústria de jogos, que codificam, desenham ou produzem a trilha sonora”, declara.

No Brasil, também existem desenvolvedores de médio porte e estúdios consagrados. Um exemplo é a empresa Wildlife, com escritórios espalhados em todo mundo, e criadora de jogos premiados para celulares, como Bike Race. O game, lançado em 2012, ganhou o prêmio de Jogo do Ano da Apple. No mesmo ano, Bike Race foi o jogo mais baixado nos Estados Unidos.

Custo Brasil

A desvalorização do real contribui para a busca de mão de obra brasileira no setor, explica o representante da embaixada. “O custo Brasil é baixo em dólar, por conta da situação do câmbio atual. Existe essa vantagem competitiva, em decorrência da situação econômica do país hoje”, ressalta.

“É sempre um desafio encontrar a fórmula mágica do câmbio que ao mesmo tempo estimula a exportação e evita inflação. Na situação atual, torna o custo do jogo brasileiro mais competitivo”, analisa. “O termo da moda é gameficação e tudo hoje pode ser gamificado, e tudo que é parecido com game atrai mais a atenção do consumidor.”

A desvalorização do real contribui para a busca de mão de obra brasileira no setor
A desvalorização do real contribui para a busca de mão de obra brasileira no setor © Divulgação

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