Amizade ítalo-brasileira "é mais forte do que a polêmica", diz Salvini após protestos contra Bolsonaro

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e o líder da extrema-direita italiana, Matteo Salvini, prestaram homenagem nesta terça-feira (2) em Pistoia (centro da Itália) aos 500 brasileiros mortos na Segunda Guerra Mundial.
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e o líder da extrema-direita italiana, Matteo Salvini, prestaram homenagem nesta terça-feira (2) em Pistoia (centro da Itália) aos 500 brasileiros mortos na Segunda Guerra Mundial. AFP - HANDOUT

Depois de ser isolado pelos líderes do G20, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) encontrou nesta terça-feira (2) de manhã um dos poucos aliados internacionais, o italiano Matteo Salvini, líder da Liga, partido de extrema direita. O encontro foi no Cemitério Militar Brasileiro na cidade de Pistoia, na Toscana, para a cerimônia de homenagem aos combatentes brasileiros mortos na Segunda Guerra Mundial .

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Desde ontem ocorreram diversas manifestações contra Bolsonaro, em Anguillara Veneta e em Pádua, e em Pistoia. Salvini se desculpou pelos protestos: "Desculpem a polêmica de alguns, que conseguem fazer divisões mesmo em um dia de lembrança, de honra como hoje. A amizade de nossos povos é mais forte do que a polêmica de alguns que não representam o povo italiano", disse.

O senador Salvini finalizou seu discurso com a frase em português: “A cobra fumou”. Ele fez referência ao lema da Força Expedicionária Brasileira (FEB) “a cobra vai fumar”. A expressão surgiu durante a Segunda Guerra Mundial como uma provocação dos soldados da FEB aos céticos, que não acreditavam que era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil ir a uma guerra. O lema foi usado diversas vezes pelos políticos na cerimônia.

Dos 20.573 soldados brasileiros enviados à Itália na luta contra o fascismo, 467 pracinhas morreram em combate.

Após o discurso de Salvini, o ministro da Defesa brasileiro, o general Walter Souza Braga Netto, que acompanhou Bolsonaro em Pistoia, afirmou que: “a cobra fumou e, se necessário, fumará novamente”.

Antes de se pronunciar, o presidente brasileiro deu a palavra a Romano Levoli, um dos últimos soldados ainda vivos dentre os que lutaram na guerra. “Diz o protocolo que a pessoa mais importante é a última que fala. Estou aqui quebrando o protocolo. A pessoa mais importante hoje presente aqui é o senhor Levoli Romano”.

Bolsonaro fez um breve discurso, no qual também enfatizou os laços entre o Brasil e a Itália. “Hoje 1/7 da população brasileira, 30 milhões de pessoas têm origem italiana”.

Pela primeira vez no Cemitério Militar Brasileiro em Pistoia não foi celebrada uma missa em homenagem aos combatentes brasileiros mortos na Segunda Guerra Mundial. O bispo de Pistoia, Dom Fausto Tardelli, não quis oficializar a celebração em dissidência ao presidente Jair Bolsonaro, segundo o jornal italiano La Nazione.

A cerimônia inter-religiosa foi conduzida pelo pastor evangélico Samuele Baroncelli e pelo o padre católico Dom Piero Sabadini.

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