Ministro do Meio Ambiente chega na reta final da COP26 e cobra mais dinheiro dos países ricos

Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, conversa com setor privado no estande oficial do Brasil na COP26.
Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, conversa com setor privado no estande oficial do Brasil na COP26. © Lúcia Müzell

Na etapa decisiva das negociações na Conferência do Clima de Glasgow, na Escócia, o Brasil parece determinado a cobrar mais financiamento dos países ricos para que as nações em desenvolvimento e emergentes consigam realizar a transição para uma economia verde.

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O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, encerrou nesta terça-feira (9) o seu primeiro dia de participação na COP26 e insistiu que o volume de recursos disponíveis terá de ser multiplicado – apesar de, na prática, o país estar se afastando das suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, devido a sucessivos aumentos do desmatamento nos últimos anos, em especial no governo de Jair Bolsonaro.

Leite chega a Glasgow com a difícil missão de convencer o resto do mundo de que Brasília agora está comprometida com a crise climática. No começo do governo, Bolsonaro chegou a ameaçar retirar o país do Acordo de Paris sobre o Clima. Agora, apesar da mudança do discurso desde a saída do ex-ministro Ricardo Salles da pasta do Meio Ambiente, o presidente não compareceu à COP26 – ao contrário de diversos líderes mundiais, como o americano Joe Biden, o francês Emmanuel Macron ou o anfitrião do evento, o britânico Boris Johnson.

Em uma entrevista coletiva, Leite minimizou a ausência do presidente e ressaltou que o Brasil apresentou, nos primeiros dias da conferência, uma nova meta de redução de emissões, passando de 43% para 50% até 2030, em relação aos índices de 2005.

Meta duvidosa

“As nossas políticas nacionais já vão na linha do que está sendo discutido aqui”, afirmou o ministro. “É importante que o mundo venha na mesma direção que o Brasil já tem, de políticas de redução de emissões de desmatamento e redução de emissões, tanto na atividade industrial quanto na atividade agropecuária”, disse Leite, sem mencionar que a base de cálculo para esse corte maior de emissões também foi atualizada para cima pelo governo – o que significa, na prática, que a meta apresentada não representa um avanço em termos de toneladas de CO2 despejados na atmosfera.

"Qual o grande desafio nessa segunda semana? Recursos. E os US$ 100 bilhões não serão suficientes”, sublinhou, mencionando cifras como US$ 700 bilhões ou até US$ 1 trilhão.

“O Brasil contribuiu sendo mais ambicioso nos primeiros dias [da COP] e colocando pressão agora aos países mais emissores que o Brasil. Falta mais ambição financeira dos países industrializados”, frisou.

Mercado de carbono

O ministro garantiu que Brasília entende a transição ecológica como uma "oportunidade de geração de empregos verdes” e reconheceu que o desafio do governo é que projetos verdes sejam acelerados, na política do governo federal.

Quanto ao polêmico artigo 6 do Acordo de Paris, relativo à regulamentação de um mercado internacional de carbono, Leite reiterou que o Brasil adota uma "posição construtiva” na mesa de negociações, da qual participam 196 países. "O artigo 6 é do interesse de todos e especialmente do Brasil, que será provavelmente um exportador de créditos de carbono para o mundo emissor, que tem mais dificuldades para reduzir as suas emissões. O Brasil tem uma condição natural e econômica de conseguir ser um player nesse jogo do clima”, disse.

Os benefícios potenciais com esse mercado, entretanto, só se confirmarão se o país voltar a controlar o desmatamento, responsável por cerca de 45% das emissões brasileiras. No ano passado, enquanto a pandemia levou o restante do mundo a um recuo nos índices, o Brasil teve o maior aumento da devastação da Amazônia em 12 anos e foi um dos raros casos a ter aumento das emissões de CO2, de 9,5%, conforme estimativas do Global Carbon Project. 

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