"A destruição da Amazônia acelera": novo recorde de desmatamento no Brasil choca imprensa europeia

Parte da floresta amazônica desmatada, perto de um garimpo de ouro.
Parte da floresta amazônica desmatada, perto de um garimpo de ouro. AFP / Antonio Scorza

A imprensa europeia desta sexta-feira (19) repercute o anúncio feito na véspera pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o desmatamento que atingiu níveis recordes na Amazônia, nos últimos 15 anos. Os principais jornais do Velho Continente estão céticos sobre as audaciosas promessas do governo Bolsonaro para tentar gerenciar o problema.  

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"A destruição da Amazônia acelera" é manchete do jornal Le Monde, que destaca que "nada parece pausar o desmatamento no Brasil". Segundo dados oficiais do sistema de monitoramento Prodes, do Inpe, a devastação da maior floresta tropical do planeta aumentou cerca de 22% entre agosto de 2020 e julho deste ano. 

O Le Monde destaca que, "pelo terceiro ano consecutivo, desde a chegada ao poder do presidente Jair Bolsonaro, o desmatamento aumenta". A matéria afirma que ele é alvo de inúmeras críticas internacionais por ter enfraquecido a proteção dos ecossistemas amazônicos e defendido atividades ilegais nas reservas florestais.

Os principais jornais europeus repercutem o anúncio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil sobre o desmatamento recorde na Amazônia.
Os principais jornais europeus repercutem o anúncio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil sobre o desmatamento recorde na Amazônia. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas

A questão também intriga o jornal britânico The Guardian, que traz como manchete: "Desmatamento na Amazônia brasileira atinge seu pico desde 2006", apesar das tentativas do governo de exibir supostos esforços. O diário ressalta que na COP26 em Glasgow, a delegação do Brasil antecipou em dois anos - de 2030 para 2028 - o limite para eliminar a destruição da floresta.

No entanto, os representantes brasileiros que participaram da conferência teriam omitido dados sobre o desmatamento para mostrar que a situação está sob controle, reitera a matéria, citando acusações feitas pelo Observatório do Clima, que reúne as principais ONGs e institutos ambientalistas que atuam no país.

"O Brasil, que abriga a maior parte da Amazônia, é visto como crucial no pacto global. As árvores da maior floresta tropical do mundo absorvem vastas quantidades de dióxido de carbono que poderiam esquentar ainda mais o planeta. Muitos cientistas advertem que se a devastação continuar, pode-se chegar em uma situação irreversível, transformando o local em uma savana", afirma o jornal The Guardian

O jornal espanhol El País destaca que a política adotada pelo governo Bolsonaro consiste em enfraquecer a vigilância na floresta, substituindo ambientalistas por militares nos órgãos encarregados da proteção do meio ambiente. O presidente brasileiro também cumpriu a promessa de não demarcar nenhum centímetro a mais de terras indígenas, além de ter relaxado leis e multas por crimes contra o meio ambiente, sublinha o diário. 

"O Brasil passou de aluno exemplar a vilão ambiental em poucos anos", diz a matéria. "O governo Bolsonaro insiste em proclamar que não vai tolerar atividades ilegais na Amazônia, mas basta ir até lá para ser testemunha da velocidade em que avança o desmatamento, a ocupação de terras para a criação de gado e as invasões de mineiros em reservas indígenas", conclui o jornal espanhol El País

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