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Saúde

Uso contínuo de telas durante confinamento gera aumento de problemas oculares

Áudio 04:42
Uso contínuo do celular aumentou durante o confinamento,
Uso contínuo do celular aumentou durante o confinamento, Bill Hinton/Getty Images
Por: Taíssa Stivanin

De acordo com a professora titular de Oftalmologia da Unicamp (Universidade de Campinas), Keila Monteiro de Carvalho, os problemas mais frequentes são a astenopia (cansaço visual), o olho seco e o estrabismo no caso dos mais jovens.

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A epidemia da Covid-19 gerou impactos indiretos na saúde da população. Com o confinamento e a generalização do home-office, o tempo passado diante das telas, sejam celulares, tablets ou computadores, cresceu.

Neste contexto pandêmico, o trabalho e a vida pessoal se misturaram de maneira inédita. Sem escola, as crianças passam mais tempo em casa e muitas horas na frente da TV.  Essa profusão de estímulos visuais durante muitas horas a fio demandam um esforço acima do normal para a visão humana.

O cansaço visual tem sido a reclamação mais comum neste período, explica a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho. Um dos motivos, diz, é que quando o uso de telas é muito intenso, é preciso corrigir defeitos mínimos na visão, que normalmente passariam despercebidos.

Os motivos mais comuns de cansaço ocular são de dois tipos, diz a médica. No primeiro caso, a correção dos óculos normalmente não é ideal e a pessoas acabam piscando menos na frente do computador. “É preciso ter o grau perfeitamente corrigido. Astigmatismo de meio grau, que para andar na rua não faz falta nenhuma, por exemplo, vai atrapalhar na frente de um computador", declara.

O foco do olho, dependendo da distância de trabalho, também gera o problema da acomodação. Nas telas de celulares e tablets, explica, a distância é menor e o tamanho das letras do texto é pequeno. Ler no celular, desta forma, representa um grande esforço para os olhos. “A demanda de acomodação e de convergência é muito maior em comparação à leitura de um livro, por exemplo", exemplifica.

As distâncias de trabalho adotadas para celulares e-books ou tablets, ressalta, é de cerca de 30 centímetros. Já a do computador de mesa ou do notebook é de cerca de 60 centímetros, por isso ele é mais apropriado em caso de uso prolongado. No caso de crianças e adolescentes, que naturalmente passam mais tempo jogando videogame em período de confinamento, ela recomenda utilizar a TV, para cansar menos a vista.

Olho seco

Ficar na frente do computador gera um outro problema comum, diz a especialista: a secura dos olhos. Ela é causada porque, em geral, quando fixamos a tela, piscamos menos. “É preciso fazer um piscar voluntário completo, deixar o olho fechado um minuto e abrir os olhos em seguida. Isso já melhora a lubrificação", declara.

A oftalmologista ainda revela que o uso excessivo do celular, exacerbado pelo confinamento, tem gerado muitos casos de estrabismo, de acordo com sua experiência clínica. “Há pouco tempo tive um paciente no consultório de uns 15 anos. Aconselhei deixar de lado o celular e utilizar mais notebook e TV, para relaxar a acomodação, além dos óculos. Em alguns casos resolvem, mas já precisei operar, porque senão a criança fica com a visão dupla", diz.

Outra recomendação, explica, é fechar as pálpebras a cada 20 minutos, contar até 20, abrir os olhos e olhar pela janela. “A vista descansa quando olhamos para longe”, preconiza. Além disso, ela lembra que é importante olhar para baixo quando se está trabalhando. “A postura considerada normal de leitura é olhando 20 graus inclinado para baixo. Se você lê um livro dessa forma, deve ler no computador também.”

A presbiopia também pode cansar a vista nas horas passadas na frente da tela. “Existe um tipo de óculos especial: são as lentes progressivas ou ocupacionais. Ela tem a distância de perto embaixo, que é a do celular, a média, do computador. É um óculos ocupacional”, explica.

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