Nova sonda da Nasa “Perseverance” é a maior esperança de encontrar sinais de vida em Marte

 A "incrível aventura da missão Marte 2020 da Nasa" é destaque na imprensa francesa desta quinta-feira, 30 de julho de 2020.
A "incrível aventura da missão Marte 2020 da Nasa" é destaque na imprensa francesa desta quinta-feira, 30 de julho de 2020. © Fotomontagem RFI

A "incrível” aventura da missão “Marte 2020” da Nasa é abordada por todos os jornais franceses desta quinta-feira (30). O lançamento está previsto para hoje em Cabo Canaveral, na Flórida. O foguete americano Atlas V, levará a bordo a sonda “Perseverance” (Perseverança em português).

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“Vocês amaram o robô Curiosity? Vocês vão adorar Perseverança, garante Les Echos. Segundo o jornal econômico, a nova aventura da Nasa a Marte é a missão de todos os superlativos.

Le Parisien explica que se tudo der certo, ela irá pousar na cratera marciana de Jezero em 18 de fevereiro de 2021. O robô, de seis rodas, tentará ir mais longe do que seus predecessores americanos, as sondas “Pathfinder”, “Spirit”, “Opportunity” e “Curiosity”. Esta última a única que ainda está em atividade na superfície do planeta vermelho, desde 2012.

O objetivo da nova missão é responder à questão simples que há décadas agita a comunidade científica: haverá vida em Marte? “Perseverance” tem uma missão precisa, detalha o diário. Ela vai em busca de vestígios de micróbios antigos que teriam povoado o planeta há mais de três bilhões de anos. Sabe-se, pelas missões anteriores, que Marte, recoberto por espessa atmosfera de CO2 que permitia a conservação de água em sua superfície, era propício ao aparecimento da vida.

Esta será a terceira missão que decola em direção à Marte neste mês, lembra Le Monde. Em 20 de julho os Emirados Árabes Unidos enviaram a sonda Al-Amal, que significa esperança em português. Três dias depois, a China enviou o robô Tianwen-1. Todos aproveitam um momento em que o planeta esta mais próximo da terra, a cerca de 100 milhões de km de distância.

Grande interesse científico

Mas em termos de interesse científico, a missão americana é sem dúvida a mais importante graças à capacidade tecnológica do robô “Perseverance”, que é uma evolução do “Curiosity”, explica o vespertino. O novo “astromóvel”, como define Le Monde o veículo espacial, vai continuar o trabalho de seu predecessor, recolhendo rochas da superfície para tentar "entender melhor a história do planeta vermelho, seu clima e sua meteorologia", resume o especialista do Centro Nacional de Estudos Espaciais francês (CNES), Michel Viso, entrevistado pelo jornal. As amostras devem ser trazidas para a terra em 2031.

Este é o programa de exploração especial mais ambicioso desde Apollo, aponta Le Figaro, lembrando que a missão americana conta com a colaboração da Europa. Seu custo, US$ 2,7 bilhões. O jornal conservador informa que a cabeça da sonda perseverança, que como o “Curiosity” lembra o simpático robô Wall-e do desenho animado da Pixar, é de fabricação francesa.

O novo robô tem novidades como um microfone. Parece surpreendente, mas nunca nenhum som foi gravado na superfície de Marte, fato que “Perseverance” vai tentar remediar.

Colheita de rochas

Mas sua missão mais importante é a colheita das rochas. Le Figaro informa que o local previsto para o pouso da sonda, a cratera de Jezero, é um antigo delta, onde a vida pode ter existido e se fossilizado.

No entanto, o jornal explica que os cientistas não acreditam na capacidade do robô detectar sozinho os sinais de vida. É por isso que ele marca o início de uma longa campanha de retorno das amostras coletadas à Terra. "É o Santo Graal. Faz 40 anos que esperamos isto", festeja Francis Rocard, responsável pelo programa de exploração do Sistema Solar da agência espacial francesa. A espera será longa, dez anos, mas se as amostra contiverem indícios mesmo ínfimos de moléculas vivas, nós poderemos identificá-las, acredita Michel Viso. A nova epopeia apenas começou, diz Le Figaro.

 

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