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Saúde

Pacientes curados da Covid-19 sem internação podem desenvolver “nova doença” pulmonar

Áudio 05:00
Covid-19 pode provocar nova doença respiratória meses depois da infecção e em pacientes que não desenvolveram formas graves
Covid-19 pode provocar nova doença respiratória meses depois da infecção e em pacientes que não desenvolveram formas graves iStock / Milena Shehovtsova
Por: Taíssa Stivanin
9 min

Com o passar do tempo e um número cada vez maior de pacientes curados, os especialistas constatam que o vírus poderia provocar uma fibrose pulmonar “atípica”, que apareceria também em pessoas que não foram hospitalizadas nem desenvolveram formas graves.

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Essa fibrose pode aparecer meses após a infecção e se associa a uma patologia que altera os vasos sanguíneos em torno dos alvéolos, modificando a função cardíaca. Esta é uma grande preocupação dos pneumologistas franceses, diz o especialista francês Nicolas Girard, do Instituto do Tórax do hospital parisiense Montsouris.

O medo é que essa “nova doença” demore para ser diagnosticada nos pacientes que não foram internados e por isso não passaram por exames mais aprofundados. “A Covid-19 pode atingir o pulmão de diferentes maneiras”, observa o médico francês. “Na prática, se há sintomas respiratórios persistentes, os pacientes devem consultar o médico e ter o acompanhamento de um pneumologista”, explicou Girard em entrevista à RFI.

O SARS-Cov-2 atinge o pulmão, o órgão vital que permite a troca de oxigênio entre o ar externo e o sangue, de duas maneiras.

Ele pode ataca a membrana pulmonar que permite essa troca, obstruindo os alvéolos durante a infecção. “Trata-se de uma perda de elasticidade desses alvéolos, que terá como consequência falta de ar e perda de fôlego durante atividades que exijam um certo esforço”, detalha.

Os vasos sanguíneos em torno dos alvéolos também podem ser afetados, diz o médico. "Durante a infecção, pode haver uma obstrução desses vasos. A longo prazo, isso pode provocar um desequilíbrio. Se eles não se reconstituírem normalmente, existe a possibilidade de que eles continuem obstruídos e o coração tenha mais dificuldades para funcionar”, esclarece.

Nesse caso, o corpo não realizará corretamente as trocas de oxigênio entre o ar externo e o sangue, por exemplo. Essas podem ser as sequelas nos pulmões dos pacientes que venceram a Covid-19, estão curados, mas relatam sintomas persistentes como falta de ar, principalmente durante uma atividade física, ou uma tosse que não cede. A nova patologia seria uma combinação dessas duas deficiências envolvendo alvéolos e vasos.

Em casos de sintomas persistentes, é preciso buscar ajuda médica especializada, reitera Nicolas Girard. O profissional então constatará, com a ajuda de um pequeno equipamento colocado no dedo, se falta oxigênio no sangue. Também são necessários testes respiratórios para verificar a capacidade pulmonar.

O aparecimento da fibrose pulmonar, diz o pneumologista, pode ocorrer após vários meses, provocando a presença de excesso de tecido fibroso nas paredes pulmonares e uma insuficiência respiratória permanente. A doença é incurável, mas existem medicamentos que desaceleram sua evolução. Essas sequelas são mais comuns nos doentes que foram entubados, mas pacientes que não foram hospitalizados também correm o risco desenvolver a doença.

Cansaço permanente, uma outra sequela comum

O próprio pneumologista foi testado positivo para o SARS-Cov-2 e desde então se sente bem mais cansado do que de costume, principalmente quando deve trabalhar longas horas a fio.

“De fato eu contraí a Covid-19, com uma sintomatologia moderada. Tive febre, perdi bastante peso, mas não tive sintomas respiratórios notáveis, mesmo com um pouco de falta de ar”, conta. Ele diz que não foi hospitalizado, contrariamente a outros colegas, que foram parar na UTI.

“Pude retomar o trabalho 15 dias depois, mas ainda me sinto cansado, e essa é a principal sequela que guardei da doença”, diz Girard, que ainda não recuperou os 10 quilos perdidos.

 

 

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