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Saúde

Testes antigênicos devem revolucionar gestão da epidemia da Covid-19 na França

Áudio 04:41
Método para colher secreção no nariz e garganta nos testes antigênicos é similar ao PCR
Método para colher secreção no nariz e garganta nos testes antigênicos é similar ao PCR © REUTERS - CHRISTIAN HARTMANN摄影
Por: Taíssa Stivanin
10 min

Os testes antigênicos detectam a presença do SARS-Cov-2 ou de seus fragmentos, em cerca de 15 minutos, e poderão ser realizados fora dos laboratórios. O dispositivo pode chegar ao mercado ainda nesta semana na França, que autorizou seu uso em setembro.

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A notícia é um alívio para os laboratórios franceses, que não conseguem atender a demanda de pacientes – mais de 13 milhões de testes RT-PCR foram realizados desde março, quando a epidemia começou no país. Eles detectam o genoma viral do SARS-Cov-2 no organismo e devem ser realizados idealmente entre o 2º e o 12º dia a partir do início dos sintomas.

Os testes antigênicos surgem como um aliado importante na luta contra a epidemia. Eles permitirão o rastreamento de possíveis contaminados em um grupo, como em uma escola por exemplo, de maneira aleatória. Se houver diagnósticos positivos, eles devem ser confirmados por segurança em laboratório – o que é indicado como primeira opção para sintomáticos e pessoas que tiveram contato próximo com um caso. Mas, se todos os testados forem negativos, a existência de um foco de propagação, ou cluster, é descartada.

A empresa francesa AAZ, especializada em testes diagnósticos, desenvolveu um dos testes antigênicos que estará disponível, em princípio, a partir desta semana na França. Em entrevista à RFI, o diretor-geral da companhia, Fabien Larue, disse que, além das filas de espera nos laboratórios, existe o problema da espera dos resultados. Eles têm demorado para ficar prontos, o que é incompatível com a política governamental francesa –isolar e detectar a rede de contatos da pessoa contaminada o mais rápido possível. Uma situação que poderá ser evitada com o uso dos testes antigênicos.

“Hoje esse prazo de espera para os resultados é de cinco ou seis dias, que é justamente o auge da contaminação, e que não é usado para isolar as pessoas”, diz. O novo teste é realizado da mesma maneira que o RT-PCR, introduzindo um swab, um longo cotonete, na mucosa nasofaringe. Em seguida, a amostra é mergulhada em um reagente. A grande diferença é que o resultado sai em 15 minutos, explica o executivo.

O teste poderá ser feito em laboratório, em consultórios, por enfermeiras, farmacêuticos, fisioterapeutas e até bombeiros. A única exigência para executá-lo será a realização de uma formação para que o profissional saiba como recolher a amostra e em seguida realizar o procedimento.

Em uma escola, por exemplo, uma enfermeira poderá realizar o exame rapidamente uma classe inteira, explica Fabien Larue. “Também será mais fácil repetir os testes para fazer o rastreamento, em uma escola, ou casa de repouso para idosos, que chamamos de EPADH, ou outras instituições deste tipo. Poderemos repetir os testes facilmente, e de forma massiva, porque teremos os resultados imediatamente”, reitera.

O clínico-geral francês Jérôme Marty, presidente do sindicato UFML, um dos maiores da França, diz que o lançamento dos testes é uma boa notícia. “O ideal é sermos capazes de testarmos 60 pessoas, por exemplo, com o mesmo reagente. Se o reagente for positivo, as pessoas serão testadas individualmente, senão, o assunto está encerrado. Tudo vai muito mais rápido”, avalia.

França comprou testes americanos primeiro

O primeiro lote com centenas de milhares de testes será liberado no fim desta semana e a empresa AAZ aguarda uma encomenda do Estado francês. “Ficamos decepcionados quando descobrimos que o governo já havia encomendado o mesmo produto nos Estados Unidos, sendo que os nossos são fabricados na França e são até mesmo mais precisos”, diz o diretor da empresa.

Fabien Larue afirma que os testes franceses são os mais confiáveis do mercado, o que foi confirmado, segundo ele, por um estudo cujos resultados foram obtidos na semana passada. O executivo ainda não sabe quando o produto estará disponível para outros países – por enquanto a prioridade é a França.

No caso do Brasil, ele lembra que a Anvisa tem uma regulamentação rígida para autorizar a comercialização de dispositivos médicos e por isso não há previsão da chegada do teste ao país.  Outra vantagem é o preço – menos de € 10, o equivalente a cerca de R$ 60. A título de comparação, o RT-PCR custa dez vezes mais.

Por enquanto, os testes antigênicos poderão ser adquiridos apenas por profissionais da saúde, mas, no futuro, a empresa não descarta a possibilidade de desenvolver os chamados autotestes, como os de gravidez por exemplo, que poderão ser realizados pelos próprios pacientes, e sem a necessidade de recolher a amostra com o cotonete.

Assintomáticos não foram isolados

Fabien Larue se diz pessimista em relação à segunda onda da Covid-19 na França. Segundo ele, houve pouca clareza do governo em relação à política dos testes, o que gerou um “engarrafamento” nos laboratórios e, em consequência, o aumento das contaminações. As pessoas que demoraram para ter o resultado, principalmente as assintomáticas, não foram isoladas, o que ajudou na propagação do vírus, diz.

“Elas participaram das contaminações e estão na origem de todas as decisões difíceis: fechamento de bares, restrições de reuniões, etc. Essas são as consequências da desorganização do circuito de rastreamento. Por isso os testes antigênicos são uma das chaves dessa política que permitirá às pessoas se isolarem, evitando assim a contaminação dos outros”, conclui. A expectativa agora é em torno do lançamento dos testes que detectam o vírus pela saliva, que ainda não estão disponíveis.

 

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