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Futura vacina da Pfizer e BioNtech levanta debate sobre vacinação obrigatória na França

Os grupos Pfizer e BioNTech anunciaram que os testes mostram que sua vacina contra Covid-19 é 90% eficaz.
Os grupos Pfizer e BioNTech anunciaram que os testes mostram que sua vacina contra Covid-19 é 90% eficaz. REUTERS
Texto por: RFI
4 min

As esperanças, mas também as inúmeras questões suscitadas após o anúncio espetacular do desenvolvimento em breve de uma vacina contra a Covid-19 dos grupos Pfizer e BioNTech, são analisadas pela imprensa francesa desta quarta-feira (11). A notícia levanta o debate sobre a vacinação obrigatória na França.

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Na segunda-feira, os laboratórios informaram que os testes mostram que a vacina é 90% eficaz e que poderia começar a ser administrada nos próximos meses. O jornal Libération diz que a notícia traz muitas esperanças, mas lembra que ainda é necessário confirmar a eficácia do produto e organizar sua distribuição. A estrada ainda é longa entre estes primeiros resultados encorajadores e a comercialização generalizada do produto.

Até agora, somente 94 voluntários, entre os mais de 43.000 que participam dos testes, contraíram a doença depois de terem recebido uma segunda dose. O experimento deve continuar até a primeira quinzena de dezembro, detalha a reportagem do jornal. Em seguida, começam as fases de validação e autorização do medicamento nos Estados Unidos e em outros países.

Um problema de peso é que algumas exigências foram descartadas para agilizar os testes e no estágio atual não será possível saber se a futura vacina será eficaz contra os casos graves de Covid, principalmente em pessoas idosas, revela Libération. Há também a questão da duração da imunização ainda em suspenso.

Produção em larga escala

Além disso, Le Figaro diz que o maior desafio será a produção em larga escala, de milhares de doses, e sua distribuição. A vacina desenvolvida pela Pfizer e BioNTech precisa ser conservada em temperaturas extremamente baixas, menos 70°C, e isso é uma dificuldade logística suplementar.

Em seu editorial, o jornal conservador escreve que a tentação de acelerar todo o processo e pôr fim à crise excepcional que o mundo atravessa é grande, mas isto seria um imenso erro. Vencidas todas as etapas, virá o tempo da vacinação, da estratégia a ser adotada neste momento de enorme desconfiança da população na ciência e nas autoridades sanitárias.

“É preciso que as pessoas tenham confiança na ausência de efeitos colaterais para que a grande maioria da população aceite se vacinar, permitindo a imunização coletiva necessária para frear a circulação do vírus”, acredita Le Figaro. E isto está longe de acontecer, pela menos na França. De acordo com uma pesquisa citada pelo diário, 46% dos franceses declararam não ter a intenção de se vacinar contra a Covid.

Vacinação divide o país

Por isso, o anúncio do desenvolvimento em breve da vacina levanta na França o debate sobre a obrigatoriedade da vacinação, destaca Le Parisien. A questão divide o país. Recomendação ou coerção?

Políticos ideologicamente mais à esquerda, como o eurodeputado ecologista Yannick Jadot, são favoráveis a uma campanha obrigatória. A extrema direita de Marine Le Pen é contra qualquer imposição. Assim como diversos políticos conservadores, ela apela para a "responsabilidade" dos cidadãos.

Sem tomar ainda uma decisão, as autoridades sanitárias francesas indicam que a confiança necessária para garantir a aceitação em massa do público passa, antes de mais nada, mais pela explicação do que pela obrigação.

Enquanto isto, a impressionante rapidez com que a vacina anticovid está sendo desenvolvida entrará para a história. A proeza dos laboratórios farmacêuticos é proporcional ao desafio imposto pela pandemia que já matou 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo, compara Le Parisien.

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