Emirados Árabes Unidos colocam sonda Esperança na órbita de Marte e entram na corrida espacial

Além de mostrar o poder financeiro dos Emirados, a missão que colocou a sonda "Esperança" espera mudar a imagem dos países árabes e incentivar os jovens da região (imagem de arquivo)
Além de mostrar o poder financeiro dos Emirados, a missão que colocou a sonda "Esperança" espera mudar a imagem dos países árabes e incentivar os jovens da região (imagem de arquivo) AP - Kamran Jebreili

A sonda "Esperança", lançada pelos Emirados Árabes Unidos, entrou na órbita de Marte nesta terça-feira (9). Essa é a primeira missão espacial de um país árabe.

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"Ao povo dos Emirados Árabes Unidos, às nações árabes e muçulmanas, anunciamos a chegada bem-sucedida à órbita de Marte. Louvado seja Deus", informou Omran Sharaf, o gerente de projeto da missão, direto de Centro Espacial de Dubai. Ele e outros responsáveis pela missão aplaudiram, visivelmente aliviados, depois de meia hora de tensão em que o equipamento desacelerou para entrar na órbita marciana. Essa era uma das manobras mais difíceis.

"Al-Amal" (“Esperança” em português), foi concebida para tentar desvendar os mistérios do clima em Marte. A sonda é a primeira de uma série de três equipamentos espaciais que constituem a missão.

A entrada em órbita da sonda coincide com o 50° aniversário da unificação dos sete emirados (Abu Dhabi, Ajman, Dubai, Fujairah, Ras al-Khaimah, Sharjah, Umm al-Quawain) que compõem os Emirados Árabes Unidos.

Colônias em Marte em 100 anos

A ambição espacial deste rico país do Golfo também é apresentada como uma reminiscência da era de ouro das grandes conquistas culturais e científicas do Oriente Médio. “É um projeto muito importante para a nação, para toda a região e para toda a comunidade científica e espacial mundial”, disse Sharaf.

Concretamente, “Esperança” vai fornecer imagens detalhadas da dinâmica meteorológica de Marte. Mas o aparelho faz parte de um projeto bem mais grandioso: o estabelecimento de uma colônia que acolheria humanos no planeta vermelho dentro de 100 anos.

Mudar a imagem da região

Além de consolidar seu status como país regional chave, os Emirados desejam que o projeto sirva de fonte de inspiração para os jovens árabes, em uma região que aparece com frequência na imprensa pelos conflitos e suas crises políticas, e não pelas conquistas científicas. "O governo quer provocar uma grande mudança no espírito da juventude dos Emirados (...) para acelerar a criação de um setor científico e tecnológico de ponta", declarou o gerente de projeto da missão.

A sonda decolou em julho a bordo de uma nave não tripulada. O lançamento foi feito do centro espacial Tanegashima (sudoeste do Japão), depois de ter sido adiado duas vezes devido ao mau tempo.

O projeto também é visto como uma demonstração de poder financeiro da região. Com o sucesso da missão, os Emirados Árabes Unidos esperam entrar na corrida das conquistas espaciais, junto com outras potências, como Estados Unidos e China, que também lançaram novas missões espaciais em julho, aproveitando o período em que a Terra e Marte estão mais próximos.

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