Variante britânica do coronavírus poderia provocar infecções mais longas, diz estudo

De acordo com as autoridades francesas, a linhagem britânica representa 36% dos casos positivos na França, enquanto a sul-africana e a brasileira dizem respeito a 5% das contaminações atualmente.
De acordo com as autoridades francesas, a linhagem britânica representa 36% dos casos positivos na França, enquanto a sul-africana e a brasileira dizem respeito a 5% das contaminações atualmente. via REUTERS - NIAID-RML

Os resultados de uma pesquisa da Universidade de Harvard, publicados em “preprint” - sem aprovação de comitê científico – no site da instituição, sugerem que a difusão rápida da variante encontrada em solo britânico não é resultado de uma carga viral maior, como tinha sido primeiramente considerado, mas porque os doentes ficam contagiosos por mais tempo. Apesar de resultados limitados, o estudo levou a França a alterar medidas de isolamento.

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O ministro francês da Saúde, Olivier Véran, citou o estudo para justificar o aumento da duração do isolamento de pessoas contaminadas pelo coronavírus de 7 para 10 dias, anunciado na quinta-feira (18). De acordo com o governo francês, a nova medida corresponde ao aumento da circulação de variantes na França.

Para chegar à conclusão sobre o período de contagiosidade da variante, os pesquisadores coletaram resultados de testes PCR feitos em jogadores, membros da equipe e empregados da NBA, a liga de basquete americano, que são regularmente testados. Ao todo, 65 pessoas participaram do estudo, entre elas, sete contaminadas pela variante britânica B.1.1.7.

Os resultados mostram que nos doentes contaminados pela mutação vinda do Reino Unido, a duração global média da infecção é de 13,3 dias, enquanto para as infecções com o vírus original, a média é de 8,2 dias. “A variante B.1.1.7 pode provocar infecções mais longas. Esta prolongação pode contribuir para um aumento da transmissibilidade do Sars CoV-2”, diz o estudo.

Além disso, o “pico” da infecção aconteceria mais tarde do que no caso de uma contaminação com a primeira cepa do vírus: 5,3 dias para os doentes da variante britânica, contra dois somente para os contaminados pelo vírus original.

O prazo entre o pico da infecção e o momento em que o doente tem um resultado negativo no teste PCR também é mais longo: oito dias para a variante britânica e 6,2 para os outros doentes. Mas a concentração viral durante o pico é quase idêntica para os dois tipos.

Prudência

O estudo deve, no entanto, ser visto com prudência, porque o número de casos analizados é pequeno, e porque a publicação ainda não foi validada por um comitê independente.

O pesquisador Yonatan Grad, que participou do estudo, pediu no Twitter a outros cientistas que compartilhem dados que permitam confirmar ou refutar os resultados de sua equipe.

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