"Grupo do azar" da vacinação, pessoas entre 65-74 anos sofrem com atrasos na Europa

Enfermeira recebe vacina da Oxford-AstraZeneca na cidade de La Baule, na França. (17/02/2021)
Enfermeira recebe vacina da Oxford-AstraZeneca na cidade de La Baule, na França. (17/02/2021) REUTERS - STEPHANE MAHE

Velhos demais para um tipo de vacina, jovens demais para as outras. As pessoas que possuem entre 65 e 74 anos podem ser consideradas o “grupo do azar” da vacinação na União Europeia. Em meio às deficiências de eficácia do imunizante da fabricante AstraZeneca, e da escassez das vacinas da Pfizer/BioNTech e Moderna, as três administradas no bloco, esses pacientes seguem sem previsão para começarem a receber as doses em países como a França.

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No calendário oficial francês, eles estavam no terceiro lugar da fila – atrás dos profissionais da saúde e dos moradores de asilos, em primeiro, e dos maiores de 75 anos, em segundo lugar na lista de prioridades. No início da campanha, em dezembro, o governo esperava que o grupo de 65-74 anos começaria a ser imunizado no fim de fevereiro.

Entretanto, novas descobertas sobre as falhas da vacina da AstraZeneca para os maiores de 65 anos levaram diversos governos europeus, como também o alemão, a reavaliarem os planos. Resultado: o grupo de 50-64 anos com comorbidades já está passando na frente, enquanto os imediatamente mais velhos encontram uma mensagem de marcação de vacinação "assim que possível”, no site do Ministério da Saúde francês.

“Jovens idosos” em stand by

Isso acontece porque o governo contava com o imunizante da AstraZeneca para iniciar a vacinação desta faixa etária, enquanto que as demais (Pfizer e Moderna), com estoques escassos, continuam privilegiadas para os pacientes mais idosos. A fila parou em 2 de fevereiro, portanto, quando a Alta Autoridade de Saúde (HAS, na sigla em francês) declarou que não recomenda o uso do produto da AstraZeneca para os maiores de 65 anos, devido à falta de “dados robustos” sobre a eficácia do imunizante nessa categoria de pessoas.

Essas doses foram imediatamente destinadas ao grupo anterior, começando pelas pessoas de 50 anos até as de 64 anos. A estimativa é de que 7,3 milhões de “jovens idosos” encontram-se, portanto, em stand byna campanha de vacinação na França.

“Apenas as vacinas com a fórmula do RNA mensageiro se mostraram eficientes nos maiores de 65 anos [entre as que são administradas na União Europeia]”, explicou o presidente da Confederação dos Sindicatos Médicos Franceses, Jean-Paul Ortiz, em entrevista ao jornal 20 Minutes.

As autoridades sanitárias informam que não esperarão que todos os idosos com mais de 75 anos sejam imunizados para iniciar, finalmente, a vacinação da categoria precedente. Agora, a expectativa é de que isso aconteça no começo de abril, quando a maioria dos idosos acima de 75 anos e que desejam receber o imunizante já estarão com as duas doses aplicadas.

Novas pesquisas podem mudar o quadro

A evolução das pesquisas, entretanto, pode melhorar esse cenário. Um novo estudo das universidades de Glasgow e Edimburgo, publicado nesta segunda-feira (22), afirma que a vacina da AstraZeneca é eficaz, inclusive nas pessoas mais idosas, para diminuir significativamente as hospitalizações e o desenvolvimento de formas graves ou a morte dos pacientes infectados pelo coronavírus. Esse é o principal objetivo da vacinação, e não a imunização completa contra o vírus – pelo menos no estágio atual do combate à pandemia.

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