Cápsula Crew Dragon é acoplada à Estação Espacial Internacional

Astronautas da SpaceX se encontram com os cosmonautas da Estação Espacial Internacional para uma entrevista ao vivo (24/04/21).
Astronautas da SpaceX se encontram com os cosmonautas da Estação Espacial Internacional para uma entrevista ao vivo (24/04/21). © NASA via AP

A cápsula Crew Dragon Endeavour da SpaceX se acoplou, neste sábado (24), à Estação Espacial Internacional (ISS), de acordo com imagens transmitidas ao vivo pela NASA. Os quatro tripulantes se encontraram com os sete astronautas da ISS para um depoimento ao vivo. 

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"É histórico o que está acontecendo hoje. Estamos ansiosos para começar a trabalhar, para saber o que nos aguarda nos próximos meses. Vamos dizer adeus a alguns amigos aqui, gostaríamos que ficassem mais um tempo, mas não tanto, pois 11 pessoas é muito numa estação espacial", declarou com bom humor o francês Thomas Pesquet, recém-chegado à ISS.

A primeira fase da atracação teve início às 05h08 (06h08 de Brasília), 264 milhas (424 quilômetros) acima do sul do Oceano Índico. A segunda ocorreu 10 minutos depois, quando 12 ganchos foram conectados com segurança entre a Endeavour e a porta da ISS.

"Captura completa, bem-vinda Crew-2", disse a comandante da ISS, a astronauta dos Estados Unidos Shannon Walker. "Obrigado Shannon, estamos felizes por estar aqui", respondeu o comandante da Endeavour, seu compatriota Shane Kimbrough.

A antecâmara entre a cápsula e a estação foi pressurizada para que as escotilhas da Endeavour e do laboratório orbital pudessem ser abertas. A missão Crew-2, que inclui Pesquet, decolou da plataforma 39A no Kennedy Space Center, Flórida, antes do amanhecer de sexta-feira.

Trânsito espacial

A cápsula carrega a terceira tripulação enviada à ISS pela SpaceX, como parte do contrato multimilionário que a Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA) assinou com a empresa de Elon Musk.

Essa é a segunda viagem da Endeavour à ISS. A primeira foi com a missão Demo-2 em maio de 2020, que encerrou quase uma década de dependência dos EUA da Rússia para viajar para a ISS depois que a NASA encerrou o programa de ônibus espaciais.

Foi a primeira vez que uma cápsula foi reaproveitada para voos espaciais tripulados e a missão também contou com um foguete reutilizado, atingindo as metas de redução de custos nas parcerias da NASA com a indústria privada.

Duas Crew Dragon estão agora estacionadas lado a lado na ISS.

É uma grande vitória para Musk - também fundador do grupo automotivo Telsa - já que a SpaceX conseguiu monopolizar o transporte espacial da NASA em um momento em que a cápsula Starliner da Boeing acumula atrasos em seus voos de teste.

Musk não esconde sua intenção de impulsionar a humanidade em direção à Lua e a Marte. "Eu acredito que estamos no alvorecer de uma nova era de exploração espacial", disse na coletiva desta sexta-feira (23).

A chegada do último quarteto à ISS eleva o número de pessoas na estação a 11. O recorde foi de 13 pessoas em 2009.

Marco para a Europa

A missão também é um marco importante para Europa, que nomeou a missão "Alpha" em homenagem ao sistema estelar Alpha Centauri.

"Para nós, é realmente a era de ouro em termos de exploração da Estação Espacial Internacional", disse Frank De Winne, diretor do programa ISS da Agência Espacial Europeia (ESA), à AFP.

O alemão Matthias Maurer e a italiana Samantha Cristoforetti seguirão Pesquet nas missões da SpaceX, respectivamente, no segundo semestre e no ano que vem. 

O próximo módulo ISS, construído pela Rússia, deve chegar à estação em julho e incluirá um braço robótico construído pela ESA que Thomas Pesquet ajudará a colocar em operação, disse De Winne.

A ESA também será um parceiro-chave dos Estados Unidos no programa Artemis de retorno à Lua, fornecendo os componentes de energia e propulsão para a espaçonave Orion e elementos-chave para uma estação orbital lunar chamada Gateway.

A Crew-2 prevê cerca de 100 experimentos durante sua missão de seis meses, incluindo a investigação do que é conhecido como "chips de tecido" - pequenos modelos de órgãos humanos que são compostos de diferentes tipos de células e são usados para estudar o envelhecimento do sistema imunológico, função renal e perda de massa muscular.

Em relação ao meio ambiente, quando a Crew-2 retornar no segundo semestre, terá obtido 1,5 milhão de imagens da Terra, documentando fenômenos como iluminação artificial à noite, proliferação de algas e ruptura das plataformas de gelo da Antártida.

Outro elemento importante da missão é atualizar o sistema de energia solar da estação, instalando novos painéis compactos que se abrem como um enorme tapete de ioga.

(Com informações da AFP)

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