‘Experiência única’: bilionário britânico vai ao espaço e inaugura era do turismo estelar

O bilionário Richard Branson e seus companheiros de voo a bordo da Virgin Galactic VSS Unity, antes de chegarem ao espaço, neste domingo (11).
O bilionário Richard Branson e seus companheiros de voo a bordo da Virgin Galactic VSS Unity, antes de chegarem ao espaço, neste domingo (11). via REUTERS - VIRGIN GALACTIC

Aos 70 anos, o bilionário Richard Branson conseguiu realizar um sonho de garoto: chegar ao espaço. A bordo de uma nave construída pela sua empresa Virgin Galactic, neste domingo (11) Branson alcançou, por alguns minutos, o espaço, o lugar em que o azul do céu se torna aos poucos um imenso mergulho na escuridão do universo e é possível flutuar sem gravidade.

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A nave VSS Unity deixou a base aérea Spaceport America, no Novo México (EUA), por volta das 11h40 (horário de Brasília). Uma hora mais tarde, Branson, e seus cinco companheiros de voo, estavam de volta ao solo terrestre, sãos, salvos e maravilhados. “Uma experiência única na vida”, descreveu o britânico.  

Apesar de rápida, a viagem de Branson é um marco e dá o pontapé inicial à era do turismo espacial. A Virgin Galactic pretende dar começar suas viagens comerciais em 2022, e já tem uma lista de espera para comprar as passagens ao preço de US$ 250 mil (R$ 1,3 milhões cada). 

No próximo dia 20 de julho, será a vez do bilionário fundador da Amazon, Jeff Bezos, tentar sua primeira viagem ao espaço em uma nave da Blue Origin.

Primeiro voo precisou de ajuda de avião

O voo da VSS Unity não começou do solo terrestre. Ao deixar o Novo México na manhã deste domingo, a nave estava acoplada a um avião, que usou uma pista convencional para decolar.

Só ao alcançar uma altitude de cerca de 15 quilômetros da crosta da Terra é que a nave foi solta, para iniciar sua jornada autônoma. A essa altura, os dois pilotos ligaram os motores da VSS Unity e deram início a uma subida supersônica em direção à fronteira espacial.

Pouco antes das 12h30, a nave ultrapassou a barreira dos 80 km de altitude, limite estabelecido pelos Estados Unidos para definir o início do espaço. Por alguns minutos, os motores foram desligados e Richard Branson, os dois pilotos e três funcionários soltaram seus cintos de segurança e flutuaram, sem gravidade. 

Pelas janelas, os tripulantes puderam ver a curvatura da Terra, a gigante bola azul observada do espaço pela primeira vez em 1961 pelo cosmonauta Yuri Gagarin, há 60 anos.

Descida expressa

Após alcançar um pico de altitude a 90 quilômetros da Terra, a VSS Unity começou sua descida. Cerca de uma hora após a decolagem, os seis tripulantes estavam de volta ao território do Novo México.

A rápida jornada tinha um objetivo claro para Branson: testar a experiência que a Virgin Galactic pretende oferecer a seus clientes a partir de 2022. A espaçonave já vinha fazendo viagens-teste desde 2018.

Em terra, Branson publicou uma declaração após o voo. "Sonhei com este momento desde criança, mas ir ao espaço é ainda mais mágico do que eu poderia imaginar”, afirmou. “É impossível descrever como você se sente ao olhar para a Terra lá embaixo, é apenas uma beleza indescritível.”

Turismo espacial: uma nova era

A empresa do bilionário britânico pretende fazer dois testes ainda antes de dar início aos voos comerciais, no início de 2022. Por enquanto, há cerca de 600 pessoas inscritas em uma lista de espera para as viagens de turismo espacial, que devem custar entre US$ 200 mil e US$ 250 mil.

A Virgin Galactic pretende realizar cerca de 400 viagens como essa, à fronteira espacial, todo ano. Mas para isso deverá enfrentar a concorrência da Blue Origin, empresa de Bezos.

No próximo dia 20 de julho, o mundo deve ser apresentado ao plano de viagem da Blue Origin. Partindo do Texas, Bezos fará a jornada espacial ao lado de seu irmão, Mark, da piloto veterana Wally Funk, de 82 anos, e do misterioso vencedor de um leilão, que teria pagado US$ 28 milhões (R$ 147 milhões) por sua passagem.  

 

Em vez de um avião, a decolagem começa em um foguete, batizado de New Shepard em homenagem a Alan Shepard, o primeiro norte-americano a chegar ao espaço.

O foguete da Blue Origin levará a cápsula espacial a uma altitude de cerca de 75 km, onde a cápsula seguirá sua trajetória até ultrapassar a Linha de Karman, a 100 km de altitude, o marco internacional para o início do espaço. 

Depois de alguns minutos, a cápsula começará sua queda livre de volta à Terra, desacelerada por três grandes paraquedas e por foguetes. Uma experiência bastante diferente da vivida hoje por Branson.

A um custo, para os bolsos e para o planeta, o espaço, que antes era sonho de criança, em breve pode entrar no rol de destinos de férias Instagramáveis dos super-ricos.

(Com informações de Baptiste Condominas, da RFI, da AFP e da Reuters)

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