França/Saúde

Autoridades francesas pedem a usuários do Mediator que realizem avaliação cardíaca

O medicamento contra a diabete Mediator foi comercializado na França entre 1975 e 2009.
O medicamento contra a diabete Mediator foi comercializado na França entre 1975 e 2009. ©France 24/AFP

As autoridades sanitárias francesas lançaram um apelo para que os usuários do Mediator, remédio contra diabete utilizado também como moderador de apetite, contatem seus médicos para realizar uma avaliação cardíaca. Um estudo divulgado na terça-feira indica que ao menos 500 mortes teriam sido provocadas pelo Mediator na França.

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Utilizado principalmente por diabéticos e pessoas com excesso de peso, o remédio foi retirado tardiamente do mercado francês em 2009, muito depois dos Estados Unidos, em 1997, e da Espanha e Itália, em 2005. Daí a revolta dos prejudicados, que resolveram denunciar o calvário que vivem desde que tiveram que ser operados, tendo as válvulas do coração substituídas por válvulas artificiais.

Dos dois milhões de usuários do Mediator (benfluorex) na França, 500 morreram vítimas de valvulopatia, doença que afeta as válvulas do coração.

O jornal Le Monde cita o exemplo da obesa Céférina Cordoba, de 56 anos, que pensava ter encontrado um remédio miraculoso para sua obesidade e terminou na mesa de operações. Hoje, confinada em um pequeno apartamento no térreo, ela tem dificuldades para realizar tarefas cotidianas como lavar o chão, passar roupa, enfim, tudo o que exija um mínimo de esforço.

O jornal Le Parisien publica o depoimento de Muriel R., de 39 anos, que quase morreu de parada cardíaca e também foi submetida a uma cirurgia de coração aberto. Bonita e jovem, ela ficará sob tratamento até o fim da vida e se sente cansadíssima o tempo todo.

O ministério da Saúde da França está fervilhando. O recém-nomeado ministro Xavier Bertrand tenta pôr panos quentes pedindo aos franceses que consumiram Mediator que contatem seus médicos.

Além de prometer investigações aprofundadas sobre os efeitos do medicamento, o ministro também anunciou a criação de uma missão de inspeção para reforçar a vigilância dos remédios no mercado.
 

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