Saúde/França

Vítimas de remédio vasodilatador entram com ação contra fabricante na França

José Duquenoy, presidente da associação de vítimas do Mediator no norte da França.
José Duquenoy, presidente da associação de vítimas do Mediator no norte da França. Reuters/Pascal Rossignol

Mais um capítulo do escandâlo de saúde pública envolvendo o vasodilatador Mediator, que pode ter matado duas mil pessoas na França. Nesta terça-feira, 116 ações por homicidio involuntário e ferimentos involuntários foram apresentados em um tribunal parisiense.  

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O Mediator, remédio para diabéticos com excesso de peso, era também utilizado como moderador de apetite. Ele foi comercializado na França entre 1976 e novembro de 2009, quando foi, finalmente, retirado do mercado. O medicamento já havia sido proibido nos Estados Unidos, em 1997, e na Espanha e Itália, em 2005.

As ações foram movidas por integrantes de uma associação de defesa das vítimas do medicamento. Outras associações devem seguir o exemplo, que demonstra a escolha pelo caminho judiciário em detrimento de um acordo do fabricante Servier. O polêmico medicamento pode ter causado a morte de até duas mil pessoas na França. Segundo o presidente da associação, o objetivo é saber as razões da retirada tardia do remédio do mercado francês.

O governo e as autoridades sanitárias francesas foram apontadas como negligentes pela imprensa francesa. O ministro francês da Saúde, Xavier Bertrand, assumiu em dezembro que problemas graves existiram. "Por isso, pedimos a abertura de uma investigação. Como todo mundo, quero entender porque o remédio ficou 33 anos no mercado", disse o ministro ao jornal Le Figaro.

 

 

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