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Saúde

Conheça os impactos das mudanças climáticas na saúde

Áudio 05:24
A exposição à poluição do ar à apontada como responsável pela morte de sete milhões de pessoas por ano.
A exposição à poluição do ar à apontada como responsável pela morte de sete milhões de pessoas por ano. REUTERS/Aly Song/Files
Por: Silvano Mendes
10 min

Enquanto líderes e negociadores de todo o mundo discutem o futuro do planeta na Conferência do Clima em Paris (COP21), algumas entidades tentam, durante o evento, alertar para o impacto que as mudanças climáticas podem ter no nosso próprio organismo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), sete milhões de pessoas morrem todos os anos vítimas da exposição à poluição do ar.

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De acordo com a OMS, entre 2030 e 2050, as mudanças climáticas serão parcialmente responsáveis por mais de 250 mil mortes, relacionadas principalmente a várias patologias, de desnutrição a malária, passando por diarreia e até o stress ligado ao calor. “Nós precisamos ter acesso a água potável, alimentos e um teto para se proteger. E cada vez que isso é colocado em risco em caso de secas, inundações e ciclones, nosso organismo é afetado”, explica Maria Neira, diretora do departamento Saúde e Meio Ambiente da OMS. “O aumento das temperaturas também favorece os vetores de transmissão de doenças como malária ou dengue. Além disso, não podemos esquecer o que aconteceu na Europa há alguns anos, quando mais de 70 mil pessoas morreram no continente vítimas de uma onda de calor intensa à qual não estávamos preparados. Isso mostra, aliás, que não são apenas as populações dos países em desenvolvimento que podem ser atingidas”, relembra a diretora.

Outro aspecto lembrado pelos especialistas é que a concentração de pólen também aumenta em caso de calor extremo, além da presença de aero-alérgenos, as partículas encontradas no ar no interior das casas, como o ácaro. Esses fatores, que provocam sintomas alérgicos, podem desencadear crises de asma, uma doença que atinge cerca de 300 milhões de pessoas.

Efeitos do clima na saúde nem sempre são lembrados na COP21

No entanto, as questões ligadas à saúde nem sempre são colocadas no centro das discussões da COP21. “É muito respeitável falar da defesa do urso polar nas montanhas de gelo, mais é preciso colocar uma dimensão humana no debate. Talvez as pessoas não compreendam a urgência de se salvar o planeta, pois isso parece muito virtual e a longo prazo. Mas quando falamos de asma ou outras doenças respiratórias, as pessoas começam a entender. É preciso utilizar a problemática das doenças como uma espécie de motor para incentivar o que está sendo discutido na COP21”, comenta Maria Neira.

A OMS tenta sensibilizar os políticos e os negociadores presentes na Conferência do Clima sobre as ações possíveis para reduzir os gases que provocam o efeito estufa e, ao mesmo tempo, obter resultados positivos para a saúde. Essas soluções vão desde o uso de energias limpas até uma reflexão sobre os meios de transportes menos poluentes.

Bicicleta : bom para a saúde e para o clima

Mas como trata-se de uma problemática que afeta a vida de todos, algumas ações individuais podem contribuir para diminuir o impacto das questões climáticas na saúde. “Um bom exemplo é privilegiar os modos de locomoção que não contribuem para a emissão de gases que provocam o efeito estufa, como a bicicleta”, ressalta Agnès Lefranc, diretora do departamento de Saúde e Meio Ambiente no Instituto Francês de Vigilância Sanitária (INVS, na sigla en francês). “Pedalar evita a emissão de poluição atmosférica, que tem efeitos a curto e longo prazos. De imediato, esse meio de transporte faz menos barulho, expondo menos os moradores aos ruídos do tráfego, mas também mantém uma atividade física, o que é um excelente meio de prevenção de doenças cardiovasculares. Já a longo prazo, ou seja, daqui a algumas dezenas de anos, a bicicleta gera menos gases que provocam o efeito estufa, limitando as mudanças climáticas.”

Mas para isso, como lembra Maria Neira, a iniciativa pública também tem que agir. “Trata-se de uma escolha individual o uso da bicicleta. Mas para isso também é preciso ter uma infraestrutura e decisões políticas que vão além da iniciativa de cada um, para que nossa cidades não sejam lugares onde nós somos obrigados a ser sedentários. E esse já é o caso em muitas localidades. Precisamos de políticas que promovam um transporte público que funcione e que não seja caro. Precisamos de políticas urbanas saudáveis”.

E a situação é mais do que urgente. A diretora da OMS lembram que daqui 20 anos, cerca de 70% da população mundial será urbana, vivendo principalmente em grandes cidades, que nem sempre foram preparadas para acolher tanta gente.
 

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