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Saúde

Dia Mundial do Autismo tenta conscientizar grande público

Áudio 05:05
O Autismo atinge 70 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a ONU
O Autismo atinge 70 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a ONU REUTERS/Jorge Dan Lopez
Por: RFI
9 min

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo será comemorado no próximo dia 2 de abril. Um dos objetivos é informar a população sobre a doença, ainda desconhecida do grande público, mesmo sendo relativamente comum: a deficiência atinge uma a cada 150 pessoas no mundo.

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A ONU estima que mais de 70 milhões convivam com a doença no mundo. No Brasil, aproximadamente 2 milhões de pessoas tem com a síndrome, que é mais comum do que o câncer, a Aids, e o diabetes.

Na França, estima-se que cerca de 430 mil pessoas sofram a doença, sendo que 25% delas são crianças. Os transtornos de desenvolvimento ainda não têm causa definida, mas aparecem com frequência antes dos dois anos de idade. Os sinais, entretanto, podem confundir pais e médicos, porque muitas vezes estão associados a outros distúrbios.

Um deles, por exemplo, é um bebê extremamente calmo, que não reage ao meio-ambiente. Um pouco mais velhas, as crianças podem ter crises de “birra”, e movimentos corporais repetitivos. Mas cada um desses sintomas precisa ser avaliado com cautela, como explica Monica Zilbovicius, psiquiatra e diretora de pesquisa no Inserm, Insituto de Pesquisa Médica sediada em Paris.

“Hoje já se sabe que não existe uma causa única para os transtornos ligados ao autismo. Não podemos falar de um gene do autismo. Existem vários mecanismos etiológicos. O mais frequente é a causa genética, mas existem mais de mil genes implicados no autismo atualmente. Também existem causas ligadas ao meio ambiente, e também causas múltiplas, como um vírus por exemplo, mas que ainda são desconhecidas”, explica a especialista.

Diagnóstico é complexo

O diagnóstico da doença é clínico e feito por um grupo de profissionais, que efetuam vários testes. “Uma observação é feita, sobretudo na área social, já que a criança desenvolve muito pouco a interação social. Para ser diagnosticado como autismo, esse problema deve estar presente nos primeiros três anos de vida”, diz apsiquiatra. Segundo, a detecção precoce é importante, principalmente antes dos dois anos. Os exames cerebrais não são utilizados para o diagnóstico, explica, mas principalmente para entender o funcionamento da doença.

Mãe cria associação para ajudar no desenvolvimento das crianças

A ex-professora de Química e Física francesa, Lydie Laurent, mãe de um menino autista, criou uma associação para ajudar crianças com autismo na escola. Segundo ela, a política escolar na França é pouco inclusiva. "Existe pouca formação e uma falta de conhecimento do autismo em geral. O revoltante é que muitas soluções existem mas é preciso compartilhá-las, difundi-las e colocá-las em prática", declara.

O filho de Lydie, Aymeric, hoje com 16 anos, foi diagnosticado aos três anos depois de inúmeras consultas. “Aymeric não pegava os objetos diretamente. Ele segurava nas mãos do adultos que estavam em volta e as colocavam sobre os objetos. Aos quatro anos ele ainda não falava, usava apenas duas expressões. Isso, é claro, o deixava muito zangado, porque ele não tinha como se comunicar. Nessa época encontramos um pediatra que passou a observá-lo e identificou traços autistas", conta.

No Brasil, leis existem mas ainda falta atendimento

No Brasil, a legislação garante o direito de atendimento especializado aos autistas. Em 2013 foram lançados 3 protocolos de diretrizes para ajudar profissionais. Mas na prática a realidade é outra. "O sistema é muito bem montado, os documentos têm avançado muito, os direitos têm melhorado, mas ainda há uma carência muito grande de atendimento para essa população", explica Cristiane Silvestre de Paula, Vice Presidente do Conselho Científico para a ONG Autismo E Realidade, professora adjunta da Universidade Mackenzie e pesquisadora do ambulatorio de autismo da Universidade Federal de São Paulo: "A maioria dos adultos não é assistida, e uma parte dos adultos".

(Com a colaboração de Tatiana Marotta)

 

 

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