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Saúde

Desenvolvido no Brasil, remédio contra Hepatite C poderá sair mais barato

Áudio 05:00
Manifestantes franceses protestam contra o preço alto do Sofosbuvir, medicamento que combate a Hepatite C.
Manifestantes franceses protestam contra o preço alto do Sofosbuvir, medicamento que combate a Hepatite C. SYLVAIN THOMAS / AFP
Por: Gabriel Brust
8 min

A Fundação Oswaldo Cruz acaba de firmar uma parceria com laboratórios brasileiros que permitirá o desenvolvimento do medicamento Sofosbuvir. O remédio é considerado uma revolução no tratamento da Hepatite C, mas chegou ao mercado internacional em 2013 a preços exorbitantes.

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A parceria brasileira promete baixar drasticamente os custos do tratamento. O preço inicial do remédio, nos Estados Unidos, foi de US$ 84 mil por tratamento, que dura 12 semanas. Desde então, começou uma corrida mundial para fabricar o medicamento a um custo mais baixo.

O governo brasileiro já conseguiu reduzir de US$ 84 mil para US$ 7 mil negociando diretamente com o laboratório. Mas com a fabricação nacional, será possível baixar ainda mais o valor. “Já há estudos no Reino Unido mostrando que ele pode ser produzido a um custo próximo a US$ 500”, afirma o vice-presidente de produção e inovação em saúde da Fiocruz, Jorge Antônio Bermudez.

O valor de referência trabalhado pela Fiocruz e pelo Consórcio BMK – formado pelas empresas Blanver, Microbiológica e Karin Bruning – é de US$ 3 mil. O pedido da análise de patentes do Sofosbuvir foi para a fila prioritária, o que significa que ela será feita o quanto antes. Se a patente for concedida ao laboratório americano, o governo precisará emitir uma licença compulsória e pagar os royalties aos criadores. Se não, ele poderá ser fabricado como medicamento genérico.

França e Reino Unido têm dificuldade em pagar

Bermudez integra um painel de alto nível da ONU que discute como reduzir os preços de medicamentos, um problema que se tornou mundial. “Não é mais um problema de países de baixa ou média renda”, afirma o médico. “O tratamento do câncer, produtos de biotecnologia, para artrite reumatoide e para Hepatite C são comercializados a preços impossíveis de serem absorvidos até por sistemas de saúde como países como França, Reino Unido e Alemanha”, explica.

Na França, a ONG Médicos do Mundo espalhou uma campanha publicitária denunciando os lucros exorbitantes dos laboratórios. Os anúncios foram considerados agressivos demais por algumas das mídias pagas para a divulgação, como ônibus e metrôs.

Mas para o médico Jean-François Corty, membro da Médicos do Mundo, a denúncia precisava estar à altura dos preços praticados pela indústria farmacêutica: “Alguns laboratórios obtêm um lucro exagerado em relação ao custo de investimento em pesquisa e desenvolvimento. Paralelo a isso, as autoridades não colocam em prática um dispositivo para poder segurar o preço dos medicamentos que impacta o nosso sistema de saúde”.

Segundo a ONG, a margem de lucro em remédios para a Leucemia, por exemplo, pode chegar a 20.000%, o que está inviabilizando o pagamento do tratamento pela seguridade social francesa. “Estamos particularmente preocupados pelo fato de que as autoridades tiveram que racionar o acesso ao tratamento de Hepatite C”, afirma Corty. “E para o novo tratamento contra o câncer, que poderia curar muitos pacientes, agora vemos que nosso sistema não vai conseguir pagar um preço tão alto.”

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