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"Bolsonaro busca o eleitorado da esquerda”, avalia cientista política

Áudio 07:02
Cientista política Sônia Fleury avalia que eleitorado da esquerda está na mira de Jair Bolsonaro nas próximas eleições.
Cientista política Sônia Fleury avalia que eleitorado da esquerda está na mira de Jair Bolsonaro nas próximas eleições. © Câmara dos Deputados/ divulgação
Por: Lúcia Müzell
11 min

Mais de 100 mil mortos por coronavírus e uma popularidade recorde. A última pesquisa Datafolha para medir o apoio ao presidente Jair Bolsonaro indicou que ele desfruta da maior aprovação desde que assumiu o Planalto: 37% dos consultados consideram o governo bom ou ótimo. A prorrogação da ajuda emergencial para a população mais vulnerável face à crise do coronavírus foi determinante para a alta de 5%, em relação à pesquisa anterior, de julho.

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"Ele está tomando as bandeiras e buscando o eleitorado da esquerda, com redistribuição de renda e cuidado dos pobres. As bandeiras da soberania, do nacionalismo, do desenvolvimento nacional, que são da esquerda, estão sendo assumidas progressivamente por ele e a esquerda está desamparada, não encontra o seu próprio discurso”, afirma a cientista política Sônia Fleury, do Centro de Estudos Estratégicos da Fundação Oswaldo Cruz.

O auxílio emergencial de R$ 600 chegou a uma população de 66 milhões de pessoas, das quais a maioria recebia valores bastante inferiores com o Bolsa Família e outros programas assistenciais. A ajuda, num momento de crise econômica inédita causada pela pandemia, fez despencar a rejeição a Bolsonaro no Nordeste – de 52% para 35%.

"Foi não só uma ajuda aos pobres, como um auxílio para a economia, que começou a voltar a girar, principalmente o varejo”, observa a ex-professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) por mais de 30 anos.

Favelas desassistidas abrem caminho para aumento da aprovação

Fleury é uma das fundadoras da plataforma Dicionário de Favelas Marielle Franco, que reúne dados sobre as comunidades e periferias no Brasil. Ela frisa que, atualmente,  a população pobre, negra e das favelas é a mais contaminada pela Covid-19. Mesmo assim, até hoje não contou com uma política sanitária específica de combate à doença.

"Quem pensou em política pública para essas populações foi a própria comunidade. Os governadores e outras autoridades proibiram as pessoas de sair de casa, mas não tinham dinheiro para dar – afinal, quem tinha era o governo federal – e não cuidaram do que podia ser feito”, diz Fleury. " Acho que isso faz com que o Bolsonaro apareça como o único que fez alguma coisa para os pobres – quando, na realidade, ele é uma pessoa que os despreza totalmente.”

Maior índice de rejeição desde Collor

A cientista política ressalta ainda que outros fatores contribuíram para a recuperação da imagem do presidente junto à elite brasileira, apesar da gestão caótica da pandemia. Depois de aprofundar os enfrentamentos com o Supremo Tribunal Federal (STF) e não esconder a possibilidade de um golpe, Bolsonaro mudou de estratégia para afastar a possibilidade de um eventual impeachment.

“Ele deixou de enfrentar os poderes, fez um acordo com o chamado Centrão e começou a minimizar as tensões. A classe média alta via com preocupação a possibilidade de um golpe”, avalia a pesquisadora. ”É assustador, mas é importante dizer que ele também é o presidente com maior índice rejeição desde o Collor. A maioria da população não o aceita como bom nem ótimo”, frisa Fleury.

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