Cultura/Itália

Artistas árabes são presença forte na Bienal de Veneza

Vídeo do egípcio Ahmed Basiouny, "30 Days of Running in the Place".
Vídeo do egípcio Ahmed Basiouny, "30 Days of Running in the Place". DR

Na 54ª Bienal de Arte Contemporânea de Veneza, uma exposição apresenta o olhar de 22 artistas do Oriente Médio sobre a situação política de seus países. Uma criação que reflete a pulsação da revolta nos países reprimidos por longas décadas de ditadura na região. 

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Durante muitos anos, o Oriente Médio esteve ausente da Bienal de Veneza, com exceção do Egito, que ocupa o Pavilhão Giardini. Neste ano, a situação se inverteu. Além de diversas iniciativas nacionais, a mostra "O futuro de uma Promessa", organizada pela curadora Lina Lazaar, reuniu 22 artistas da região, do Marrocos à Arábia Saudita.

Nomes famosos como Mona Hatoum, Kader Attia e Mounir Fatmi, que vivem exilados na Europa há vários anos, participam ao lado de outros criadores que trabalham no Líbano, Palestina e Golfo e ainda têm pouca visibilidade internacional. Mas seja qual fôr o status, todos têm um ponto em comum: o forte teor político de suas propostas. Dois exemplos: o argelino Fayçal Baghriche criou um mapa do mundo totalmente sem lógica e o palestino Taysir Batniji propõe anúncios imobiliários de casas bombardeadas nos territórios ocupados.

Instalações, fotografias, pinturas... os artistas utilizam todos os meios de expressão do mundo ocidental para denunciar os desvios, dúvidas e dramas de sua região.

Primavera Árabe

A criação no Oriente Médio, nos últimos dez anos, precedeu as recentes revoluções na Tunísia, Egito e Líbia e a presença de artistas da região em Veneza não está diretamente ligada às revoluções, mas sim a um trabalho de reflexão que antecipou os movimentos.

Nesta Bienal, a única alusão direta às revoltas árabes vem do Egito, com a obra do videasta e performer Ahmed Basiouny, morto a balas na praça Tahrir em 28 de janeiro. O vídeo do seu último trabalho, uma performance na cidade do Cairo realizada em 2010, é projetado, acompanhado por suas imagens na praça, na véspera do seu assassinato.

Nos outros casos, como o dos Emirados Árabes Unidos, a presença artística não corresponde a uma revolução política, por enquanto, mas sinaliza a esperança de uma mudança que começa pela criação.

A Bienal de Veneza pode ser vista até o dia 27 de novembro.

 

 

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