Literatura/França

Morre Jorge Semprún, escritor espanhol radicado na França

Jorge Semprún, na foto em janeiro de 2008, morreu aos 87 anos em Paris.
Jorge Semprún, na foto em janeiro de 2008, morreu aos 87 anos em Paris. AFP/Frank Perry

Jorge Semprún morreu na noite desta terça-feira, em Paris, aos 87 anos. O escritor espanhol radicado na França desde os anos 30 era considerado um dos grandes intelectuais do século 20.

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Jorge Semprún nasceu em Madri em 1923, mas se instalou na França ainda criança, nos anos 30, com a família que fugia da guerra civil espanhola. Durante a Segunda Guerra Mundial e a ocupação nazista, ele aderiu ao partido comunista espanhol e entrou na resistência francesa. Preso pela Gestapo, a polícia nazista, foi deportado para o campo de concentração de Buchenwald. Essa experiência dolorosa foi o tema de seu primeiro livro, “A Longa viagem”, publicado em 1963.

Após a guerra, Jorge Semprún militou contra o regime franquista na Espanha, foi excluído do Partido Comunista espanhol nos anos 60, mas voltou à política durante o governo socialista de Felipe González como ministro da Cultura na Espanha.

Semprún escreveu dezenas de livros, a maioria deles em francês, sua língua de adoção. Sua obra, que relata os grandes acontecimentos históricos do século 20, foi recompensada na França. Semprún recebeu o importante prêmio literário Fémina pelo livro “A segunda morte de Ramon Mercader”, em 1969, e era membro da Academia Goncourt desde 1996.

Ele também escrevia para o cinema. Entre seus maiores sucessos está o filme “Z”, dirigido por Costa Gravas e vencedor do prêmio do Júri em Cannes em 1969. Vários romances de Semprún foram traduzidos para o português como “A Segunda Viagem de Ramon Mercader”, “Um belo domingo” ou “A Longa Viagem”.

Reações:

A presidência francesa soltou hoje um comunicado homenageando Jorge Semprún. O texto afirma que ele foi “um dos maiores escritores engajados do século 20 e um dos últimos atores de uma época trágica”.

O diretor de cinema Costa Gravas, que trabalhou com Semprún, disse que guarda a lembrança de um “homem talentoso e honesto intelectualmente.”

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, declarou que Jorge Semprún "era um dos maiores democratas da Espanha e da Europa."

Semprún morreu em casa, na noite de terça-feira, 7 de junho, rodeado por seus familiares. A família ainda não anunciou o local do enterro que provavelmente deve acontecer na França, país onde o escritor espanhol viveu a maior parte de sua vida.
 

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