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Cinema

Gérard Depardieu volta às telas com texto de Victor Hugo

Gérard Depardieu em ação no filme L'homme qui rit, de Jean-Pierre Améris
Gérard Depardieu em ação no filme L'homme qui rit, de Jean-Pierre Améris Divulgação/Thierry Valletoux / Incognita / Europacorp
Texto por: RFI
3 min

Nesta quarta-feira, Gérard Depardieu conseguiu escapar um pouco das páginas de política e economia e voltar à área da cultura. O ator, que se afundou em polêmica há duas semanas, quando decidiu renunciar à cidadania francesa e se exilar na Bélgica para fugir do fisco na terra natal, estrela o filme "L'homme qui rit (O homem que ri)".

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Adaptação do diretor Jean-Pierre Améris de um romance homônimo de Victor Hugo, a película estreia nesta quarta-feira nas salas da França e, a julgar pelas críticas, traz Depardieu em sua melhor forma. O jornal conservador Le Figaro, por exemplo, escreve que, "com o personagem de Ursus em 'O homem que ri', Jean-Pierre Améris oferece a Gérard Depardieu (...) a ocasião de mostrar uma outra face, além desta do exílio fiscal anunciado sob uma tempestade midiática: aquela do ator magnífico, amante dos grandes textos, vibrante de sensibilidade e humanidade".

Ursus é o diretor de uma modesta trupe de circo que acolhe em sua caravana dois órfãos: Gwynplaine, um garoto desfigurado por uma cicatriz nos cantos da boca que o condena a um sorriso eterno, e Déa, uma menininha cega. Com uma atmosfera fantástica, que fica no meio do caminho entre Fellini e Tim Burton (influências declaradas do diretor), o filme acompanha o percurso do grupo por cidades interioranas, a relação amorosa entre os órfãos, agora adultos, e a evolução do sentimento de paternidade em Ursus.

A inspiração barroca com traços de teatralidade fecha o aspecto geral da obra. No livro de Victor Hugo, a trama se passa na Inglaterra do século XVIII, mas Améris filmou em Praga e optou por não localizar sua versão no tempo ou no espaço.

No filme, Depardieu divide a cena com Emmanuelle Seigner (duquesa Josiane), Marc-André Grondin (Gwynplaine) e Christa Theret (Déa). Fora dele, a classe artística se divide sobre ele. Não no que diz respeito a sua inegável qualidade dramática. O ponto polêmico do ator mais bem-pago da França é, claro, sua reação ao anúncio de que o imposto de renda para os mais ricos na França pode chegar a 75%.

Por exemplo, o ator Phillipe Torreton (ganhador do César de melhor ator em 1997 por "Capitaine Conan") publicou um artigo no jornal progressista Libération para acusar Depardieu de abandonar o barco para viver sua vida de rico, enquanto a França corta a própria carne para manter os auxílios que permitem amplo acesso de todas as classes sociais a bens como a cultura.

Catherine Deneuve que compartilhou a cena com o "novo Belga" em pelo menos seis filmes, perguntou que direito tem Torrenton de criticar Depardieu. Fabrice Lucchini, ganhador do César de melhor ator coadjuvante por "Tudo isso... Pra isso?!", de 1993, disse que "é preciso ter uma filmografia sólida para atacar Depardieu". Mas a resposta para essas críticas está no próprio texto de Torreton: "Rimbaud, apesar de traficante de armas, foi e continua sendo um poeta". Em outras palavras, o artista aumenta, mas não anula a pessoa.

 

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