Acessar o conteúdo principal
Kabuki/Paris

Paris apresenta kabuki com ator japonês considerado "tesouro nacional vivo"

Tamasaburo Bando apresenta Jiuta, espetáculo de kabuki, em Paris.
Tamasaburo Bando apresenta Jiuta, espetáculo de kabuki, em Paris. © Marie-Noëlle Robert - Théâtre du Châtelet
Texto por: Patricia Moribe
2 min

Um exemplo do melhor do kabuki japonês está em cartaz em Paris. Três peças distintas, sempre com uma mulher como única protagonista, compõem o espetáculo Jiuta. As três pesonagens são vividas pelo mesmo ator, Tamasaburo Bando, 61 anos, um dos maiores representantes do gênero. No ano passado, ele foi consagrado como “tesouro nacional vivo” pelo governo japonês, uma homenagem a pessoas empenhadas na divulgação da cultura tradicional japonesa.

Publicidade

“Jiuta”, junção de “ji” (província) e “uta” (canção) é um estilo de característica intimista, nascido no século 17, no qual as canções são acompanhadas por instrumentos de corda como o shamisen e o kotô.

No primeiro solo, Yuki (neve), uma jovem gueixa é perseguida pelas lembranças de um antigo amante numa noite de inverno. Solidão, frio, doçura e dor se misturam. Em Aiono-ue (Dama Aoi), tirado do “Livro de Genji”, clássico da literatura japonesa, a esposa de um príncipe sedutor é atormentada pelo espírito de uma rival. Já Kanega-Misaki narra a tragédia de uma mulher, apaixonada e repelida por um monge. Viajante, ele se refugia numa noite sob o sino de um templo. A mulher o segue, transforma-se em serpente e queima o sino, matando o monge.

As heroínas trágicas dessas histórias contam com um cenário frugal, mas de cores que lembram as delicadas estampas japonesas ukyo-e (séculos 17 a 19). Em cada peça, Bando se transveste e se transforma. O rosto, sempre branco, transborda de emoções contidas, ancorado por mãos expressivas, de gestos flutuantes. Os trajes magníficos completam a transmutação de um homem de hoje em mulheres tão sofridas de outros tempos.

As interpretações mudas de Bando são acompanhadas pela voz e o shamisen de Seikin Tomiyama, que também tem o título de "tesouro nacional vivo". Seu filho Kiyohito Tomiyama toca o koto.

Aplaudido de pé durante vários minutos na estreia, na terça-feira, Tamasaburo Bando vive as três personagens de Jiuta até o dia 7 de fevereiro. De 11 a 16 de fevereiro ele protagoniza e dirige a ópera chinesa “Pavilhão das Amapoulas”, também no Théâtre du Chatelet, no centro de Paris.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.