Literatura árabe é destaque nos palcos franceses

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"Ritual para uma Metamorfose", du dramaturgo sírio Saadallah Wannus, é a primeira peça árabe a entrar no repertório da Comédia Francesa.
"Ritual para uma Metamorfose", du dramaturgo sírio Saadallah Wannus, é a primeira peça árabe a entrar no repertório da Comédia Francesa. Comédie-Française

O programa desta semana destaca um espetáculo de dança e uma peça de teatro que levam aos palcos franceses dois marcos da literatura árabe, a exposição sobre arte cinética e ótica no Grand Palais em Paris e a reabertura do Museu Van Gogh de Amsterdã.

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Nesta primavera europeia, dois monumentos da literatura árabe chegam aos palcos franceses. O premiado coreógrafo Angelin Preljocaj acaba de estrear em Aix-en-Provence seu novo espetáculo, inspirado nos contos do clássico "As Mil e Uma Noites".

Ao som da cantora belga Natasha Atlas e com figurinos do estilista tunisiano Azzedine Alaia, os bailarinos interpretam um encadeamento de cenas que jogam com o erotismo e as relações de submissão e dominação.

A produção é também uma homenagem a todas as modernas Sherazades do mundo árabe, que lutam no dia-a-dia contra a "bárbarie", nas palavras do próprio coreógrafo.

Também nesta semana, a trupe da Comédia Francesa, a mais antiga e prestigiosa instituição teatral ainda em atividade no mundo ocidental, adicionou ao seu repertório uma peça árabe pela primeira vez.

"Ritual para uma Metamorfose", escrita pelo autor sírio Saadallah Wannus em 1994, conta a história de uma esposa da alta sociedade que se transforma em prostituta e desafia a dominação masculina em Damasco no final do século 19.

Emancipação feminina, relações de poder, o peso da autoridade religiosa... O texto aborda os temas mais polêmicos do Oriente Médio. Tanto que durante anos a peça não pôde ser apresentada na Síria e no Egito. Apesar de pouco encenado, o texto se tornou um marco na literatura árabe.

O diretor Suleiman al-Bassam, originário do Kwait, optou por minimizar as características locais no cenário e nos figurinos para evidenciar a dimensão universal do drama.

A peça "Ritual para uma Metamorfose" estreou esta semana em Marselha e será apresentada na Comédia Francesa em Paris de 18 de maio a 11 de julho.

Movimento

Em Paris, o Grand Palais abriga uma exposição nada convencional sobre a luz e o movimento na arte, de 1913 a 2013. Com mais de 200 obras - algumas delas monumentais - realizadas por cerca de 150 artistas, essa é a maior mostra de arte abstrata já realizada no mundo, segundo o curador Serge Lemoine.

Dos pioneiros da arte cinética e ótica, como Alexander Calder e Robert Delaunay, aos artistas contemporâneos que trabalham com questões de espaço e de visão, incluindo Anish Kapoor e Felice Varini, a exposição é rica em sensações para os visitantes e fica em cartaz até 22 de julho. 

Van Gogh

Depois de uma reforma que durou vários meses, o museu Van Gogh de Amsterdã reabriu nesta semana com uma grande exposição sobre os métodos de trabalho do pintor holandês.

Mais de 200 quadros, pertencentes ao museu ou provenientes de grandes instituições internacionais, permitem acompanhar o desenvolvimento artístico de Van Gogh. A mostra é o resultado de oito anos de pesquisas e restaurações.

 

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