Esculturas hiper-realistas de Ron Mueck provocam filas em Paris

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Escultura de Ron Mueck apresentada na mostra da Fundação Cartier em Paris.
Escultura de Ron Mueck apresentada na mostra da Fundação Cartier em Paris. © Reuters

O programa desta semana fala sobre a exposição em Paris do artista plástico australiano Ron Mueck, que muitos críticos associam à corrente hiper-realista. Esse movimento é tema de uma retrospectiva atualmente em Madri. Ainda nesta edição, o festival de literatura mais badalado do Reino Unido e o centenário do cantor e compositor francês Charles Trenet.

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Um casal de idosos na praia sob um guarda-sol colorido, uma mãe que carrega seu bebê e sacolas de supermercado, um homem nu em um barco. Impressionantes e estranhamente comoventes, essas esculturas em diferentes dimensões - algumas delas monumentais - têm fascinado o público parisiense, que não hesita em enfrentar longas filas diante da Fundação Cartier.

O australiano Ron Mueck constroi essas obras lentamente em seu ateliê de Londres, com grande habilidade técnica e um profundo humanismo, como explica a curadora da mostra em Paris, Grazia Quaroni: "As esculturas representam momentos banais, que dificilmente vemos na escultura ou mesmo na arte em geral. Ou seja, esses pequenos momentos de vazio, de nada, os momentos perdidos. Mas há sempre algo que é humanizado."

A mostra em cartaz na Fundação Cartier até 29 de setembro traz três obras feitas especialmente para a ocasião e outras seis criações recentes que nunca haviam sido expostas em Paris. Além disso, um vídeo inédito permite descobrir como o artista aperfeiçoa minuciosamente cada detalhe de suas esculturas, inspiradas na vida cotidiana, em imagens de revistas, na história da arte ou até em lendas e fábulas.

Hiper-realista é o adjetivo que a maioria dos críticos costuma aplicar a Ron Mueck. Essa corrente artística, intimamente ligada à arte pop, ganha destaque atualmente no museu Thyssen-Bornemisza de Madri.

Até 9 de junho, uma exposição retraça a evolução do hiper-realismo desde seu nascimento, no final dos anos 60 nos Estados Unidos, passando por sua implantação na Europa e seu impacto nos pintores das geração subsequentes, até os adeptos atuais do estilo, que trabalham com técnicas digitais.

Literatura e afins

O ex-presidente americano Bill Clinton disse uma vez que o Hay Festival é uma espécie de Woodstock da mente. Durante dez dias a cada ano, o evento transforma uma pacata cidadezinha do País de Gales em centro de discussões de literatura, música, política e ciência.

Uma das estrelas desta edição, que acontece de 23 de maio a 2 de junho, é o escritor John Le Carré, autor de obras-primas da literatura de espionagem. O jornalista americano Carl Bernstein, famoso por suas reportagens sobre o escândalo Watergate, vai debater sobre a liberdade de imprensa. Ainda no programa, os atores Damian Lewis, premiado por sua atuação na série "Homeland", Jeremy Irons e Rupert Everett interpretarão textos literários.

Sucesso internacional

O cantor e compositor francês Charles Trenet completaria 100 anos neste sábado, 18 de maio. Doze anos após sua morte, ele continua fazendo sucesso: é possível ouvi-lo até no último episódio da saga cinematográfica de James Bond.

Considerado o inventor da canção francesa moderna, ele deixou um repertório de quase 1000 músicas, incluindo 60 hits internacionais, como a célebre "La Mer".

Entre as homenagens que marcam seu centenário está uma exposição na galeria das bibliotecas de Paris até 30 de junho. A mostra segue depois para Narbonne, cidade natal do cantor.

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