Música

Morre Georges Moustaki, o "estrangeiro" da canção francesa

O cantor e compositor francês Georges Moustaki morreu nesta quinta-feira, 23 de maio de 2013, aos 79 anos de idade.
O cantor e compositor francês Georges Moustaki morreu nesta quinta-feira, 23 de maio de 2013, aos 79 anos de idade. RFI/Musique

O cantor e compositor de origem grega Georges Moustaki morreu na madrugada desta quinta-feira, aos 79 anos, em Nice, no sul da França. Ele escreveu mais de 300 canções para os maiores intérpretes franceses, como Edith Piaf, Yves Montand, Barbara ou Serge Reggiani, e tinha uma profunda ligação com a música brasileira. 

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Georges Moustaki sofria de enfisema, uma doença respiratória incurável que o impedia de cantar desde 2009. Ele morreu nesta madrugada em Nice, no sul da França, e seu corpo será transportado para Paris.

Em fevereiro, Moustaki havia contado em sua última entrevista, ao jornal Nice Matin, que se instalou no sul da França para fugir da poluição e do frio de Paris, onde viveu por mais de 40 anos.

Georges Moustaki, cujo verdadeiro nome era Yussef Mustacchi, nasceu no dia 3 de maio de 1934 em Alexandria, de pais judeus gregos que imigraram para o Egito. Ele se mudou em 1951 para Paris, onde conheceu Georges Brassens. Moustaki decidiu adotar o nome Georges como uma homenagem ao grande cantor e compositor francês.

Em 1959, ele escreveu a letra de "Milord" para Edith Piaf, com quem teve um caso. "Eu tinha um imagem de gigolô quando estava com Piaf. Depois as pessoas viram que eu era um autor e essa imagem desapareceu", reconheceu o próprio artista, que teve durante toda a vida a fama de sedutor.

Outras canções se tornaram clássicos, como "Ma liberté" (Minha Liberdade) e "Ma Solitude" (Minha Solidão), interpretadas por Serge Reggiani, e "La Dame Brune" (A Senhora Morena), sucesso na voz de Barbara.

A música "Le Métèque" (O Estrangeiro), traduzida para uma dúzia de línguas, revelou ao público o talento de Georges Moustaki como cantor em 1969. Na época, já fazia mais de dez anos que ele atuava como compositor. 

Brasil

O artista tinha laços profundos com o Brasil, país que começou a frequentar no início dos anos 70, e foi muito influenciado pela bossa nova. Ele deixou versões francesas de várias músicas brasileiras, como o clássico de Tom Jobim "Águas de Março". 

O escritor Jorge Amado assinou o prefácio de seu livro "Les Filles de la Mémoire" (As filhas da mémoria, em tradução livre), publicado em 1988.

Em 2005, Moustaki gravou no Rio de Janeiro o álbum "Vagabond" (Vagabundo). O último disco do cantor e compositor, "Solitaire" (Solitário), data de 2008.

O anúncio de sua morte provocou muitas reações no meio cultural francês. "Ele era um homem elegante que tinha um doçura infinita, sem falar no talento", disse a cantora Juliette Gréco.

Para a ministra francesa da Cultura, Aurélie Filippetti, Georges Moustaki era "um artista engajado que tinha valores humanistas".

A também cantora Mireille Mathieu elogiou "um dos maiores embaixadores da música francesa".

"Fiquei muito emocionado ao saber da morte de Georges Moustaki, cujas canções acompanham todos os franceses e eu também há décadas", disse o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, em sua conta no Twitter.
 

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