Festival de Cannes

Controverso, James Gray conquista adeptos com "A Imigrante"

Marion Cotillard responde perguntas de jornalistas ao lado de James Gray, nesta sexta-feira, 24 de maio
Marion Cotillard responde perguntas de jornalistas ao lado de James Gray, nesta sexta-feira, 24 de maio REUTERS/Eric Gaillard

O tapete vermelho de Cannes recebe mais dois filmes em disputa pela Palma de Ouro nesta sexta-feira: "A Imigrante", do americano James Gray, e "Michel Kolas", do francês Arnaud des Pallières. Quando se fala em James Gray, a critica se divide. Muitos o adoram, outros acham que Gray é uma farsa. Mas Cannes parece amar o diretor americano, ja que, apesar de ter apenas cinco filmes no curriculo, é a quarta vez que ele é indicao à Palma de Ouro.

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Outro detalhe é que todos esses longas tem Joaquin Phoenix no papel principal. A Imigrante no caso é a francesa Marion Cotillard, Oscar por "Piaf, um Hino ao Amor". Na trama, ela é uma estrangeira em Manhattan, que se apaixona por um homem muito charmoso, Phoenix, que a força a se prostituir.

Mas, se Gray causava polêmica entre a crítica, depois da projeção de "A Imigrante", ele conquistou novos seguidores. Na saída da exibição para a imprensa, comentava-se que o filme é sério candidato a uma Palma de Ouro "consensual". No mínimo, a um prêmio de interpretação - para Phoenix ou para Cotillard.

Curiosamente, Gray não havia visto um filme sequer da atriz francesa antes de trabalhar com ela, como confessou em coletiva de imprensa, mas ele já se encantava por seu rosto, que "lembra Renée Falconetti em 'A Paixão de Joana d'Arc', (Carl Theodor) de Dreyer".

Para Cotillard, o grande desafio para viver a imigrante Ewa foi falar polonês: "O idioma faz parte de um todo. Eu adoro criar personagens que tem sua própria evolução, sua própria linguagem corporal, sua própria maneira de falar. O polonês tem uma forma de colocar a voz que é diferente do francês ou do inglês. Isso me ajudou a construir algo único para a personagem".

O outro filme na corrida hoje é Michel Kolas, do francês "Arnaud Despallieres". Melhor ator de Cannes no ano passado por "A Caça", o dinamarquês Mads Mikkelsen vive o personagem título que, na Europa medieval, desafia o sacrossanto código de honra - e humilhações - de senhores feudais. O novato Arnaud Despallieres faz uma boa estreia, com um filme épico, bonito e com boas interpretações.

Patricia Moribe, do Festival de Cinema de Cannes, para a RFI

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