Grand Palais de Paris expõe Hokusai, mestre da pintura japonesa

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"A Grande Onda" é uma das obras mais famosas de Hokusai.
"A Grande Onda" é uma das obras mais famosas de Hokusai. DR

Nesta semana, a nossa viagem cultural se interessou por imagens.... Hokusai, o mestre dos mestres da gravura japonesa em Paris, "Shirley, Visions of Reality", um filme lúdico que cria histórias a partir de quadros de Edward Hopper, um outro que mergulha na genialidade e no gênio forte do rei da soul music, "Get on Up"!

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Katsushita Hokusai nasceu no Japão em 1760 e morreu em 1849. Ele é, com certeza, o artista japonês mais famoso de todos os tempos.

A série "Trinta e seis vistas do Monte Fuji" são conhecidas no mundo todo, assim como "A Grande Onda", imagem de uma onda azul, cujo movimento parece querer tocar o céu. E quem estiver em Paris neste outono europeu terá a oportunidade única de apreciá-las, assim como o conjunto de sua obra.

A exposição, que abriu ao público nesta semana, retrata os seis períodos da vida do grande mestre, através de estampas, livros, pinturas (muitas delas, inéditas), além de esboços raros, totalizando mais de 500 trabalhos. A mostra também será dividida em duas fases para preservar as criações mais frágeis. A  abertura foi no dia 1° de outubro e em 21 de novembro vai encerrar temporariamente para a substituição de cerca de cem obras como pinturas em seda e em papel. No dia 30 de novembro a exposição recomeça e vai até 18 de janeiro de 2015.

Hokusai é considerado o precursor dos famosos Mangas japoneses, tendo desenhado quinze volumes que retratam a vida cotidiana do país e a época de Edo, subdivisão que se usa tradicionalmente na história do Japão, equivalente ao início do ano 1600. 

A obra prolífera de Hokusai pode ser explorada nesta exposição no Grand Palais, onde podemos descobrir o seu universo que, se mudou muitas vezes de identidade, sempre surpreendeu por sua beleza.

Get on up!

Quem esteve na Europa nesta semana foi Mick Jagger, mas não para dar shows com os Rolling Stones, e sim para o lançamento do filme "Get on Up", que ele produziu com Brian Grazer, sobre a vida e obra do cantor soul James Brown. O artista tinha diversos apelidos, entre eles "Mister Dinamite" e "Padrinho da Soul". Brown também era conhecido como o trabalhador mais obcecado do show business.

James Brown nasceu na Carolina do Sul em 1933, quando os Estados Unidos atravessavam a Grande Depressão. Violento, ele viveu sua juventude no abandono, entre internatos e temporadas na prisão. Tornou-se lutador de box e começou a cantar na rua até ser descoberto, tendo uma ascensão fulminamente. Toda a revolta que o atormentava foi projetada em suas interpretações impulsivas, que o levaram ao mais alto patamar da fama.

Da infância miserável à glória mundial, passando pela prisão, a trajetória fulgurante do cantor de voz inconfundível é explorada através da interpretação excepcional do ator Chadwick Boseman.

James Brown foi um intérpretes mais expressivos e influentes da cena soul e funk mundial. Colérico, caprichoso e violento, ele era temido por seus músicos, obrigados a pagar multas se errassem uma nota durante os shows.

Os brasileiros ainda terão que esperar até 5 de fevereiro de 2015 para curtir "Get on Up" !

Telas de Edward Hopper viram estórias no cinema

"Shirley, Visões da Realidade", do diretor e artista multimídia austríaco Gustav Deutsch, é o nome do filme que acaba de ser lançado na Europa. Deutsch, amante de cinema e também videasta, aproximou as duas artes ao criar o longa, que parte de 13 quadros bem conhecidos do pintor americano Edward Hopper para criar histórias de efeito plástico incrível.

O cineasta criou um fio condutor entre as obras: Shirley, uma atriz americana que passa por diversas fases de sua vida ao longo do filme. Ela é uma personagem típica do pintor: cansada, porém, corajosa, perturbada, plena de energia, e incrivelmente sozinha.A estética das cenas, em cores fortes e contrastantes, revela a modernidade impressionante das telas de Hopper. Suas figuras parecem estar sempre em busca de algo impossível a alcançar.

Sem diálogos, o filme revela o som dos pensamentos das personagens e surge como uma pérola rara na produção cinematográfica atual, homenageando com finura e sensibilidade o pintor com cenas tão reais que a gente não sabe, às vezes, o que é o quadro, o que é a cena.

Entre melancolia e erotismo sutil, entre pintura e cinema, "Shirley, Visions of Reality" nos faz viajar pelas telas de Edward Hopper e pelas imagens belíssimas e a direção perfeita de Gustav Deutsch.

 Ouça a dupla dinamarquesa Darkness Falls cantando a música "The Void"

 

 

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