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Street Art

Justiça francesa perdoa grafiteiro que desenhou em estação de metrô

O grafiteiro franco-suíço Thoma Vuille, desenhando o célebre Monsieur Chat em um muro de Paris.
O grafiteiro franco-suíço Thoma Vuille, desenhando o célebre Monsieur Chat em um muro de Paris. https://www.facebook.com
Texto por: Daniella Franco
3 min

Um dos grafiteiros mais célebres de Paris, conhecido como Monsieur Chat (Senhor Gato, em francês), estava na mira da Justiça francesa até a manhã desta quarta-feira (29). O artista franco-suíço Thoma Vuille foi indiciado depois de desenhar seu famoso personagem, um sorridente gato amarelo com asas, em uma estação de metrô de Paris. Depois de muita polêmica e pressão de personalidades políticas, o processo foi anulado hoje.

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Monsieur Chat ou Thoma Vuille foi indiciado em agosto, depois que a Rede Autônoma de Transportes Parisienses (RATP), responsável pela gestão dos transportes públicos da capital francesa, prestou uma queixa contra o artista.

Há alguns meses grafiteiro fez uma série de desenhos em um dos muros da estação de metrô de Châtelet, no centro de Paris. Na época, o local estava em reforma, e os muros da estação ainda não haviam sido finalizados.

A RATP reclamava o pagamento de € 1,8 mil (cerca de R$ 5,6 mil) do street artist, que se negou a desembolsar a quantia. O objetivo, de acordo com a rede, era “dar o exemplo”.

O caso gerou comoção em toda a França. O grafiteiro desenha há mais de dez anos em muros e construções abandonadas de Paris. O famoso gato de Vuille também já foi levado a Londres, Berlim, Amsterdã, Nova York, Hong Kong, Dacar, entre várias outras cidades.

20 mil assinaturas

Thoma Vuille já desenhou seu famoso gato em várias estações de metrô de Paris.
Thoma Vuille já desenhou seu famoso gato em várias estações de metrô de Paris. https://www.facebook.com

Na internet, admiradores e amigos de Monsieur Chat e suas obras conseguiram reunir 20 mil assinaturas em uma petição a favor do artista. Entre os “defensores”, estavam o prefeito de sua cidade, Orléans, no centro da França, e Jérôme Coumet, prefeito do 13° distrito de Paris, bairro onde vive o grafiteiro. Coumet encomendou, inclusive, uma obra do street artist.

Vuille, que poderia ter como pena máxima o pagamento de € 30 mil (R$ 90 mil) e três anos de prisão, diz que espera que o caso abra um debate sobre o street art na França. “Meu avô era pintor de paredes, meu pai era pedreiro. Na nosa casa, pintar os muros nunca foi um crime”, justificou.

Com a anulação do processo pela Justiça, o grafiteiro não vai, definitivamente, guardar seus sprays. Seus gatos sorridentes continuarão batendo asas por onde o vento os levar, seja nos muros de Paris e ou outras cidades do mundo. Agora, segundo ele, os bichanos levarão um sorriso ainda muito mais sarcástico.

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