Acessar o conteúdo principal
Cultura

Mostra em Paris traz ritual da refeição durante a Idade Média

Áudio 04:01
Um prato de luxo : a garça-real
Um prato de luxo : a garça-real Guillaume de Machaut, Œuvres, Paris
Por: Patricia Moribe

O que comiam as pessoas na Idade Média? Como se comportavam à mesa? O que bebiam? Como eram as refeições? Para responder a essas e outras questões, o museu da Torre Jean Sans Peur, no centro de Paris, organizou uma exposição especial, “Comer na Idade Média”, em cartaz até 15 de novembro.

Publicidade

Para começar, as casas e castelos ainda não tinham um lugar determinado para comer, como nos conta Agnès Lavoye-Nbeoui, responsável pela comunicação: “A mesa ainda não é fixa, ela pode ser montada em qualquer peça – os cômodos ainda não têm função específica, servem para comer, dormir e tomar banho ao mesmo tempo, por exemplo. Dessa época vêm as expressões “fazer a mesa” ou “banquete”, pois os senhores comiam sentados em bancos”.

As pessoas ainda comiam com as mãos, mas já havia algumas regras de etiqueta, como não cuspir no chão ou não invadir o espaço do vizinho. Respeitar a hierarquia era fundamental. “Os senhores feudais e seus próximos se sentam nos melhores lugares, na frente da chaminé, de onde podem ver todo o desfile de comida passar diante dos olhos”, diz Agnès.

Ostentação

Os grandes banquetes são uma grande oportunidade de ostentação. O guardanapo corria ao longo da mesa e era compartilhado por todos os convivas. O copo também podia ser dividido, assim como o pão. Os pratos na mesa do senhor são cobertos por uma cúpula dourada e há alguns temperos – raros na época – como sal, pimenta e ervas. Serviçais rodeiam as mesas com funções específicas: cortar a carne, servir, encher os copos e divertir os convidados nos intervalos entre os pratos.

“O número de pratos também reflete a riqueza do senhor, seguindo alguns preceitos saudáveis, indo do mais leve ao mais pesado”. A orgia alimentar começa com um aperitivo, depois uma fruta da época, cereja ou melão, por exemplo, seguido de uma sopa, conta Agnès.

“O prato principal é uma ave assada. A religião é muito importante na época, então dava-se preferência a elementos mais próximos do céu do que da terra – aves ao invés de carne vermelha, frutas no lugar de legumes. A seguir, faz-se uma pausa com algum tipo de distração. A sobremesa pode ser algum tipo de bolo ou frutas. Tudo sempre regado a um vinho bem diluído, que vai ajudar também na digestão.”

Sem café nem batata

E nada de café para terminar a gulodice, lembrando que a introdução da bebida só vai chegar séculos depois. A batata também vai ter que esperar as grandes conquistas marítimas para ser trazida da América do Sul.

A exposição na Torre Jean Sans Peur é apresentada em painéis feitos a partir de uma minuciosa pesquisa das arqueologas Danièle Alexandre-Bidon e Perrine Mane. Uma cozinha da época foi reconstituída no final da exposição, no local que, na época medieval, era o esgoto do palácio. Construída no século 15, a Torre Jean Sans Peur (João Sem Medo) fazia parte da residência do duque de Borgonha, que ganhou o apelido que dá nome à construção por sua fama de destemido.

Veja algumas imagens abaixo:

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.