Síria/Armas russas

Forças de al-Assad começam a utilizar armas russas na Síria

Sírios em meio aos escombros no bairro de Shaar, na cidade de Aleppo, depois de um ataque aéreo das forças do governo. 17 setembro de 2015.
Sírios em meio aos escombros no bairro de Shaar, na cidade de Aleppo, depois de um ataque aéreo das forças do governo. 17 setembro de 2015. AFP PHOTO / FADI AL-HALABI

As forças armadas sírias começaram a utilizar recentemente novos armamentos terrestres e aéreos fornecidos pela Rússia, informou na quinta-feira (17) uma fonte militar síria. Há vários meses, os militares sírios vem recebendo treinamento para o manejo destes equipamentos e, há semanas, eles têm sido usados pelas forças de Bashar al-Assad, com grande "precisão e eficácia".

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Desde o início de setembro, os Estados Unidos acusam o reforço da presença militar russa em uma base aérea na região da Latáquia, um reduto do presidente sírio, que tem no Kremlin um de seus poucos aliados. Washington suspeita que Moscou tenha resolvido ajudar diretamente o regime de Damasco.

Desde a época da União Soviética, os russos mantêm uma base naval na cidade síria de Tartus, na Costa Mediterrânea. No domingo (13), a Rússia declarou que continuava a fornecer - em plena legalidade - material bélico à Síria. De acordo com Maria Zakharova, porta-voz do ministério russo da Defesa, esse auxílio a al-Assad visa lutar contra o terrorismo, garantir o Estado sírio e evitar uma "catástrofe completa" na região.

Diante da imprensa, ela acrescentou que Moscou está disposta a fornecer aos Estados Unidos informações sobre a cooperação militar, desde que sejam respeitados os "canais apropriados". Ela censurou o governo norte-americano por debater publicamente essa questão.

Ataques em Aleppo

Ao menos 11 civis - entre eles, três crianças e duas mulheres - morreram na noite desta quarta-feira (16), quando suas casas foram destruídas por um barril de explosivos lançado pela força aérea síria em um bairro rebelde de Damasco. "Há três mortos de uma mesma família e quatro de outra", contou Abdel Rahmane, chefe da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que conta com uma grande rede de fontes por todo o país.

O número de ataques deste tipo contra Aleppo aumentou nos últimos dias, o que motivou uma condenação "nos termos mais fortes" por parte da Unicef (o fundo das Nações Unidas para a infância). Uma das grandes complicações é que as ruas locais - que já são estreitas - estão cobertas de detritos, o que dificulta o socorro das vítimas.

Aleppo, que já foi a capital econômica da Síria, é, desde 2012, uma cidade dividia entre o regime (zona leste) e os rebeldes (zona oeste). Na terça-feira, tiros de rebeldes contra um bairro sob poder do governo mataram ao menos 38 pessoas, sendo 14 crianças, e deixaram 150 feridos.
 

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