Livro infanto-juvenil francês não teme rivalidade de Ipad e celular

Capa do livro "La Bulle", de Timothée de Fombelle e Eloïse Scherrer
Capa do livro "La Bulle", de Timothée de Fombelle e Eloïse Scherrer Ed.Gallimard

O 31° Salão do Livro e da Imprensa Infanto-Juvenil abre as portas de 2 a 7 de dezembro em Montreuil, na periferia de Paris. O setor continua em alta, sem sofrer a concorrência das novas tecnologias.

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"De verdade, de mentira" é o tema do Salão. Os jovens leitores poderão desvendar o universo do jornalismo em formações-relâmpago de repórter, curtir o site de livros BookTubePower, participar de workshops  para aprender a escrever roteiros para teatro e cinema, criar histórias em quadrinhos, enfim, dezenas de atividades para despertar, conservar, preservar e estimular a juventude a ler.

Um verdadeiro desafio pois hoje todo mundo sabe a atração exercida pelos celulares, Ipads e computadores. Jamayê Viveiros tem 14 anos e desde muito pequeno foi estimulado a ler. Ele cresceu pedindo os últimos lançamentos literários de presente, mas hoje reconhece que largou um pouco os livros: "Desde pequeno eu leio, mas agora leio menos porque tenho computador e celular, mas continuo lendo, sim...", diz o estudante, que tem preferência pelo estilo fantástico e policial. Atualmente, ele está mergulhado nas páginas de "Cherub", do inglês Robert Muchamore.

Mas mesmo ligado às novas tecnologias, ele não pretende trocar o tradicional livro de papel por um IBook: "Mesmo se leio bem menos que antes, não uso livro eletrônico não, uso livro de verdade", conta Jamayê.

Ler faz parte integrante do aprendizado nas escolas francesas. O atual primeiro-ministro, Manuel Valls, até declarou que lia autores brasileiros na escola.

Literatura juvenil na França

A francesa Carolina Nardi Gilletta, que já viveu no Rio de Janeiro, é autora de livros infanto-juvenis. Ela fala sobre a importância deste salão de Montreuil: "Este é um dos três grandes salões de literatura infanto-juvenil na Europa e acho que tanto para o público como para os autores e profissionais das editoras, é importante porque podemos ver as tendências, o que está acontecendo.... A frequência do salão, que é imensa, mostra a vida deste setor e esses leitores pequenos, que vêm a cada ano, mostram a importância da área e também a diversidade. Hoje em dia se fala muito da criatividade dos autores e ilustradores, eles têm muita liberdade para explorar caminhos que seriam mais difíceis para a literatura adulta", diz a autora.

Eu quis saber mais sobre o setor da literatura infanto-juvenil aqui na França, que tem centenas de editoras e muitas livrarias especializadas.
"Este é um setor cada vez mais importante porque, apesar de tudo o que se diz, o que se fala, da televisão etc, as crianças estão sempre amarradas em histórias. Primeiro os pais vão contando e depois as crianças continuam. Nesses últimos anos para os adolescentes teve o desenvolvimento do gênero 'fantasy', que trouxe de uma outra maneira os mitos e o percurso do herói onde os jovens podem se estruturar com histórias que vivenciam, um percurso de vida", observa Caroline.

No Brasil

A escritora também fala dos talentos deste segmento no Brasil. Ela admira Roger Mello, acompanha seu trabalho e acha sua literatura muito criativa, "bem perto dos mitos brasileiros e da vida das pessoas que moram no Brasil". Em termos de ilustração, os trabalhos brasileiros são, a seu ver, muito lindos e abrem novas cores para o imaginário.

O Salão do Livro e da Imprensa para a Juventude, em Montreuil, fica de portas abertas até o dia 7 de dezembro.

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